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quinta-feira, 13 de julho de 2017

PENSAMENTOS DOS MAIORES SÁBIOS DA GRÉCIA ANTIGA



Um grupo de Sete Sábios que, na verdade, eram Sete Filósofos, que viveram no século IV A. C. eram conhecidos como tal. 
Segundo a tradição mais divulgada, os sete sábios eram: Thales de Mileto, Solon de Athenas, Chilon de Lacedemonia, Pittaco de Mitilene, Bias de Priena, e Periadro de Corintho. 
Deste aquele tempo que seus pensamentos norteiam o comportamento das pessoas que os conhece. 
Aqui lhes trago uma parte de sua sabedoria, que brevemente será publicado em livro tradicional e estará a disposição de todos nas livrarias e no site da minha editora EDITORA ALL PRINT - SP.  < Clique aqui.
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I - THALES
Perguntando-lhe, alguém, por que é que não tinha filhos,respondeu que era pelo muito que desejava tê-los. Quando sua mãe pediu para que se casasse, respondeu: - "É cedo ainda"; e alguns anos depois, passada sua juventude, sua mãe lhe perguntou novamente com mais ardor, e ele replicou: "Já é tarde". 
. Por três coisas dava ele graças à fortuna: a primeira por ter nascido homem e não uma besta; a segunda, varão e  não mulher; a terceira, grego e não bárbaro.
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Conta-se que, tendo-o uma velha tirado de casa para observar as estrelas, caiu num fosso e queixou-se da queda; ao que a mulher replicou: "Oh! Thales, tu não podes ver o que está debaixo dos teus pés e queres perceber do que se passa nos céus?"
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Disse também que entre a morte e a vida não havia diferença alguma. "- Por que não morres então?" -  "Ora, respondeu ele, porque não faz diferença alguma".
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Perguntando-lhe outro se um homem que procede mal pode escapar à vigilância dos deuses, respondeu: "- Não, nem mesmo se pensa mal." 
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Um adúltero pergunta-lhe se devia jurar não ter cometido adultério. " - O perjúrio, exclamou, não é pior do que o adultério". 
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Quando lhe perguntaram como é que o homem pode mais facilmente suportar o seu infortúnio, respondeu:  " - Vendo os seus inimigos mais infortunados ainda". E que coisa era difícil: " - Conhecer-se a si mesmo". E que coisa era fácil: " - Dar conselho aos outros". E como vivermos com mais virtude e mais santamente: " -Não fazendo nós mesmos o que censuramos nos outros". 
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A sua filosofia gira toda sobre este pensamento capital:  "- A água é o primeiro princípio de todas as coisas". 
O aforismo: "Conhece-te a ti mesmo" é desse filósofo.
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II _ SOLON 
As leis são como as teias de aranha: se se é pequeno ou fraco, cai-se dentro delas; se se é maior ou mais forte, rompe-se a teia e foge-se. 
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Os favores dos reis são como as pedras que usamos nos cálculos: os que as usam fazem-nas valer mais ou menos conforme o seu desejo. 
Perguntando-se-lhe por que forma podiam ser evitados os males públicos, respondeu: "- Aborrecendo-os tanto os que os não sofrem, como os que os sofrem".
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Da riqueza nasce o excesso e do excesso a insolência.
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 Máximas de conduta: Considera a tua honra como alguma coisa de mais peso que um juramento. Nunca mintas. Trata de coisas sérias. Não sejas precipitado em arranjar amigos, nem tampouco em te desfazeres deles. 
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Manda apenas quando tiveres aprendido a obedecer. Não dê conselhos agradáveis, mas bons conselhos. Guia-te pela razão. Lira-te de más companhias. Honra os deuses e teus pais. 
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Perguntando-se-lhe por que é que não tinha legislado contra os parricidas,respondeu: " - Porque não espero que os haja". 
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Quando estava a chorar a morte do seu filho, alguém lhe disse: "- As tuas lágrimas não servem de nada". Respondeu Solon: " - Por isso é que eu choro - porque não servem de nada".
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III  CHILON 
A seu irmão, que se indignava por o não terem feito eforo (aquele que prevê), disse um dia: " - É porque eu sei sofrer a injustiça, e tu não". 
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Os homens educados diferem dos ignorantes pela racionalidade das suas esperanças. 
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As trêss coisas mais difíceis são: guardar os segredos, empregar bem o ócio, e suportar a injustiça. 
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Domina a tua língua, especialmente nos banquetes, e não fales mal do próximo. 
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Não ameaces ninguém: isso é coisa de mulheres. 
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Mais depressa deves visitar os seus amigos na adversidade do que na prosperidade. 
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Não digas mal do morto. 
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. Tem mão em ti. 
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Prefere o castigo ao lucro desonesto; o primeiro só se sente uma vez, o último sente-se por toda a vida.
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.Não zombes do infeliz. 
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Se és poderoso, sê também bom, para que os outros te tenham mais respeito do que temor.
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Aprende a dirigir bem a tua casa. Não corra a língua mais que o juízo. Reprime a cólera. Não queiras impossíveis. Não te apresses no caminho. Obedece às leis . 
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Ensaia-se o ouro com pedras de toque, e o homem com o ouro. 
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Hoje segurança, amanhã destruição. 
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Dizia que uma vez duvidou da justiça do seu proceder: tendo de julgar um amigo como jurado, condenou-o conforme a lei, mas induziu outro jurado a votar a favor, determinando assim a absolvição. 
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O poder revela o homem. 
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O melhor é fazer bem o que se está fazendo no momento. 
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É próprio dos varões prudentes, precaverem-se das adversidades antes delas aparecerem, e dos fortes, tolerá-las quando aparecerem. 
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Não digas com antecipação o que pretendes fazer; porque serás objeto de troça se a coisa te falhar. 
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Abstem-se de dizer mão não só dos teus amigos, mas também dos teus inimigos. 
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Espera a oportunidade.
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Alceu, seu comportamento, diz que Pittaco era cambaio, e andava com os pés a arrastar; que os tinha gretados; que se dava ares sem motivo, era gordo, míope, porco e indolente.  Como outra autoridade diz que ele moia trigo para exercício, o poeta parece ter exagerado. 
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V  BIAS
A coisa mais difícil que existe é suportar a mudança de fortuna com grandeza de alma. 
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Dizia que antes queria julgar os inimigos que os amigos. "- De dois amigos estou certo de que hei  de fazer um inimigo; enquanto de dois inimigos estou certo de que hei de fazer um inimigo; enquanto que de dois inimigos, um deles há de ficar meu amigo". 
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Os homens devem proceder com se tivessem de viver muito e de viver muito pouco. (com medo de que o que resulta do seu procedimento, se lhe constitua um longo castigo; com medo de terem pouco tempo para trabalhar ou para se emendarem). 
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Devemo-nos amar uns aos outros com se pudéssemos vir a odiar-nos. 
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Escolhe a tua carreira sem precipitação, e prossegue-a depois com perseverança.
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Infeliz é aquele que não sabe sofrer a infelicidade. 
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Este também foi surpreendido a bordo de um temporal.
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Ente os companheiros encontravam-se alguns de bastante má fama, que entraram a clamar aos deuses por auxílio.
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- "Cala-vos, exclamou Bias, que eles nem sonhem que vinde a bordo! 
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Um homem sem princípios nem crenças perguntou-lhe o que era piedade. Bias não respondeu, e sendo-lhe perguntada a razão do seu silêncio, replicou: 
- "É porque estais inquirindo acerca de coisas que vos não dizem respeito. 
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Sendo-lhe mostrado um templo, cujas paredes se achavam cobertas de promessas e ofertas de marinheiros salvos de naufrágios, após haverem dirigido fervorosas preces aos deuses, perguntou: 
- "Bem, mas onde estão as ofertas daqueles que morreram afogados depois de implorar socorro? 
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VI - CLEÓBUILO 
Dizia que era conveniente casar os filhos jovens em idade, mas velhos em prudência.
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Deve-se favorecer o amigo para que o seja ainda mais, e o inimigo para torná-lo amigo. 
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Livra-te da calúnia doa amigos e das ciladas dos inimigos.
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Quando saíres de casa, pensa primeiro no que hás de fazer, e quando voltares, no que tens feito. 
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Devemos ser como a virtude e estranhos com o vício. 
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Aprende a sofrer com paciência os revezes da fortuna. 
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O seu aforismo era: "- A medida é a melhor de todas as coisas". 
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VII - PERIANDRO
Não se faça coisa alguma por interesse. 
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Os gostos são transitórios, mas as honras sao imortais. 
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Na prosperidade sê moderado; na adversidade prudente.
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Castiga não só os que tenham delinquido, como também os que queriam delinquir.
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O trabalho consegue tudo. 
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Dizia que os reis não se defendem com as armas, mas com a benevolência.  Foi o primeiro que se fez acompanhar por homens armados. Dizia também que o governo democrático era melhor que o governo tirânico. Foi ele quem reduziu a tirânico o governo republicano. Dir-se-ia as sentenças de \\\\\\\\\periandro não serviam para orientar a vida, mas para a condenar. São sentenças, sim, mas sentenças condenatórias. 
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VII  ARISTOPPO
Dionísio, o tirano, pediu a Aristoppo que lhe explicasse por que infestam os filósofos as casas dos ricos e estes não infestam as casas dos filósofos. Aristopo respondeu-lhe: - "Porque os filósofos sabem o que lhes falta, e os ricos não. 
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Em outra ocasião, sendo-lhe dirigida em tom de zombaria a mesma pergunta, respondeu: - "Também os médicos infestam as casas dos  enfermos; todavia nenhuma deles trocaria as suas condições pelas do doente".
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Um dia pediu dinheiro a Dionísio e este replicou: - "Eu imaginava que os filósofos não precisassem de dinheiro!
- "Dá-me-o, disse Aristoppo, depois responderei. Dionísio deu-lhe algumas moedas de ouro. - "Agora, disse Aristoppo, não preciso de dinheiro. 
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Sendo repreendido por desperdiçar dinheiro em suntuosos manjares, respondeu: - "Se pudesse comprar as mesmas coisas com uma esmola, não as comprarias? 
- "Então, prosseguiu ele, és tu o avarento e não ou o guloso. 
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De medo, durante uma tempestade, mostrou-se tão assustado que outro passageiro lhe disse: - "Nós, as pessoas vulgares, não perdemos a cabeça; é preciso ser um filósofo para ser covarde". 
- "É porque nós arriscamo-nos a perder mais alguma coisa do que umas simples vidas sem valor, como as vossas, foi a resposta. 
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Tendo em vão tentado obter a anuência de Dionísio a um pedido, atirou-se, por fim, aos pés do tirano, conseguindo por este meio o seu fim. Sendo-lhe censurado tão humilhante procedimento, replicou:  - "A culpa não é minha, mas do Dionísio, que tem as orelhas nos pés". 
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Dizia que pedia dinheiro aos amigos, menos para gastá-lo ele próprio do que a fim de lhes mostrar como o deveriam empregar. 
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A sua capirchosa obediência ora a elevados princípios teóricos, ora à pratica de atos do maior egoísmo e indulgência consigo próprio, fez com que Platão lhe dissesse:  - "És a única pessoa que pode ao mesmo tempo, usar um capote são e um montão de farrapos".
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VIII   PITÁGORAS 
Não revolvas o fogo com uma espada. (Não despertes a ira dos poderosos). 

Não te sentes acima do alqueira. (Não sejas preguiçoso no teu trabalho quotidiano). 
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Não comas o coração. (Não envenenes a tua vida com a inveja). 
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Não ajudes a aliviar as cargas, mas a impôr-te mais pesadas ainda. 
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Tem sempre preparada a tua cama. (Está sempre preparado para a desgraça). 
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Não uses a imagem dum deus no anel. (Não banalizes as coisas sagradas).
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Apaga os vestígios que a panela deixa nas cinzas. (Guarda segredo da tua vida particular). 
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Não esfregues um banco com azeite. (Não empregues as coisas inutilmente.)
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Não passes na rua principal. (Sê independente nos teus juízos). 
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Não ofereças levemente a tua mão direita. 
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Não tenhas andorinhas debaixo do teto. 
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Não cries aves de unhas aduncas (aves de rapina). 
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Não sujes nada. 
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Não te ponhas em cima das unhas ou dos cabelos que cortaste (faze desaparecer todos os vestígios das vaidades desprezadas). 
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Evita uma espada cortante. (Porque é tão perigosa para quem serve dela como para o inimigo). 
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Quando fizeres uma viajem, não voltes os olhos para as fronteiras do teu país. (O passado bem passado está; o que não tem remédio bem remediado está). 
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IX  DIOGENES 
Perguntou-lhe alguém a razão porque certas pessoas davam dinheiro aos mendigos, recusando-o aos filósofos.  - "É, respondeu ele, porque julgam mais provável que cheguem eles próprios a ser mendigos do que ser filósofos". 
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. Platão definiu o homem com sendo um bípede sem penas. Diogenes arrancou as penas de um frango e levou-a à escola deste dizendo: - "Eis um dos homens de Platão".
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Sendo-lhe perguntado qual a idade em que se deve casar, respondeu: - "Os novos ainda não; os velhos nunca".
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Interrogado sobre a melhor hora para jantar, disse: - "Sendo rico, o hora que quiseres; sendo pobre, quando puderes".
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Tendo alguém em discussão afirmado não existir o movimento, Diogenes levantou-se e foi-se embora. 
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Instado a fim de se deixar iniciar nos mistérios religiosos para bem seu depois da morte, replicou: - "É um absurdo supor que Agesilau e Epaminondas fiquem na lama, enquanto qualquer verme, sendo sendo iniciado, irá viver nas "Ilhas Afortunadas". 

Assistindo a um banquete de Platão, onde se viam uns suntuosos tapetes, Diogenes, batendo neles com os pés, exclamou: - "Assim piso o orgulho de Platão!" Ao que Platão retorquiu: - "Com igual orgulho.
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Sendo capturado e posto à venda como escravo, foi-lhe perguntado o que sabia fazer, - "Governar homens , replicou ele, e disse ao pregoeiro que visse se alguém precisava de um patrão porque o momento era oportuno.
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Sendo-lhe proporcionado visitara casa luxuosamente mobiliada de um homem ordinário, pediram-lhe ai que não cuspisse sobre qualquer objeto, que poderia assim prejudicar. Doegenes cuspiu na cara do dono da casa e então perguntaram´lhe qual o motivo dessa atitude, respondeu: - "Eu senti vontade de cuspir e não havia outro lugar apropriado".
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Um dia, achando-se ele sentado ao sol, veio vê-lo Alexandre o Grande. Colocou-se em frente do filósofo, encobrindo um pouco os raios de sol, e perguntou-lhe qual o maior favor que lhe poderia conceder. E ele respondeu: - "Não me tires o que não podes me dar".
Perguntando-lhe Alexandre se não o temia, replicou: - "Por que? És, por ventura, uma calamidade?
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Um libertino fez inscrever por cima da porta da sua casa as palavras: "Aqui não entra o mal".  _"Então tu para onde vais viver? perguntou Diogenes ao dono da casa.
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Um dia foi passear com uma candeia acesa na mão. Sendo-lhe perguntado o motivo, respondeu: - "Procuro um homem honrado.
Outra ocasião gritou: - "Eh! Homens!" - Quando as pessoas correram para saber o que havia, respondeu: - "Chamei homens e não vermes". 
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Lamentando alguns espectadores as suas tristes condições de vida, Platão observou-lhes: - "Se deseja que ele mereça realmente a vossa piedade, ide-vos embora sem lhe dar atenção. 

Perdicas ameaçou matar Diegenes, por ele não comparecido a uma ordem sua. Diogenes respondeu: - "Até um escorpião conseguiria tal; como verdadeira ameaça deveria mandar dizer que se sentiria feliz se eu lá não fosse. 
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Dizia ele que um homem rico e ignorante era como um carneiro com lã de ouro (dá vontade de tosquiar).
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Louvou um mu tocador de harpa, dizendo que ao nebos dera-lhe para tocar harpa em vez de roubar. 
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Sendo-lhe dito em tom de deboche que os habitantes de Sinope o haviam condenado a sair de lá, respondeu: - "E eu condenei-os a ficarem em Sinope. 
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Heine imitou esta frase quando, contando o mau fim de algumas bêtes noires  dos seus primeiros tempos, concluiu dizendo: - "E o professor - é ainda professor em Gottingen,
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Pediu que lhe erigissem uma estátua, explicando mais tarde que o fizera a fim de aprender a suportar decepções. 
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Disse a um homem a quem pedia esmola: - "Se já deste esmola a alguém, dá-me uma também a mim; se nunca deste, começa então por mim. 
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Dizia ele que Dionísio tratava os amigos como sacos: pendurava aqueles que se achavam cheios, deitando fora os vazios. 
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Vendo um libertino arruinado, reduzido a uma refeição de azeitonas, disse-lhe: - "Se tivesses jantado sempre dessa forma, não cearias agora assim". 
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Sendo-lhe perguntado qual o vinho que preferia, respondeu: - "O vinho dos outros".
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Instado a procurar um escravo que lhe havia foragido,  respondeu: 
- "Seria um absurdo se o meu escravo pudesse viver sem mim, e eu não pudesse viver sem ele".
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Censurando-lhe alguém o seu mau procedimento anterior, ele respondeu: 
- "Sim, tempo houve em que me parecia contigo; mas nunca houve nem haverá tempo em que te pareças comigo". 
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Sendo censurado por comer na rua, respondeu: - "Pois se foi ali que senti vontade de comer. 
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Quando lhe diziam - "Muitas pessoas se riem de ti", respondia: 
- "É muito provável que os burros se riam dessas pessoas; e nem ela nem eu nos importamos com isso". 
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Dizia ele que os libertinos se assemelhavam a uma figueira, crescendo à beira de um precipício; não pode o seu fruto ser colhido pelo homem, e só pelos corvos e abutres. 
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Foi o primeiro a denominar-se um cidadão do mundo. Ouvindo um rapaz bonito dizendo tolices, perguntou-lhe se não se envergonhava de sacar de uma bainha de marfim uma espada de latão.
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Um dia pediu um certa importância "elevada" de dinheiro a um perdulário, em vez do seu usual pedido de esmola. Perguntou-lhe alguém por que: 
- "Para já sobrar alguma coisa do resto para a outra vez".
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Vendo dois homens que disputavam acerca de um furto, em vez de discuti-lo abertamente, disse que eram evidentemente ambos culpados: o primeiro mentia, afirmando que perdera seu objeto e o segundo, dizendo que não o havia roubado. 
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Um dia, vendo um atirador de besta (arco de flecha)  inábil, foi sentar-se junto ao alvo. 
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Dizia que a educação servia de bom comportamento aos novos, de conforto aos velhos, de riqueza aos pobres e de adorno aos ricos.
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ANTISTHENES 
Aconselhava os atenienses a que votassem para que os burros fossem cavalos. Protestando eles que seria um absurdo, replicou-lhes: - "Mas é dessa forma que fazeis generais. 
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Sendo-lhe dito que Platão falava mal dele, observou: - " É privilégio dos reis fazerem bem e serem caluniados"
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Escarnecido por não ser filho de cidadãos livres, disse: - "Nem tão pouco filho de lutadores; porém na luta poderei vencer-vos. 
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Dizia que as pessoas invejosas eram corroídas pelo próprio temperamento, como se corrói o ferro com a ferrugem.
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Sendo-he perguntado qual o ramo mais importante da sabedoria humana, respondeu que era saber vencer os nossos maus costumes. 
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DIVERSOS
Disseram a Aristóteles que alguém falava mal de na sua ausência, e ele respondeu: 
- " Na minha ausência, podem até bater-me..."
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Pergungando-se-lhe o motivo porque nos junto de belos objetos, respondeu: - "Essa pergunta só pode ser feita a um cego". 
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Theofrasto disse a um homem que se conservou calado durante um banquete: 
- "Se não sabeis dizer coisa alguma, fazeis bem; mas sabendo, fazeis mal. 
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Demétrio, informado de que os atenienses haviam demolido as estátuas que lhe erigiram, respondeu: - "Mas não demoliram as minhas virtudes, que foram motivo delas". 
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Dizia que os jovens deviam manifestar respeito aos pais em casa, aos outros em público, e a eles próprios quando se encontrassem sós.
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Afirmava que os amigos prósperos só se deviam visitar por convite, e os desgraçados espontaneamente. .
Alexandre Magno ordenou que as cidades gregas o proclamassem deus, e os Espartanos pronunciassem assim o decreto: - "Se Alexandre deseja ser deus, que o seja". 
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Focio, sendo aplaudido pela multidão, exclamou: - "Que má ação terei eu cometido? 
. Zeno foi o primeiro a ensinar a teoria de predestinação.  Um criado seu sendo apanhado no ato de roubar, exclamou: - "Estava escrito que eu roubaria". Geno replicou: - "Sim, e que por tal feito serias espancado. 
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Afirmava que um amigo era um outro eu. 
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Perguntando-lhe alguém o motivo porque nunca corrigia nem reprendia um certo discípulo, respondeu: - "Porque nada há a fazer dele".
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Lacides, sendo chamado por Attalo a vir visitá-lo, respondeu: - "As estátuas devem ser vistas a distância".







  

sexta-feira, 23 de junho de 2017

SÁBIAS PALAVRAS DE GRANDES PENSADORES

Encerrado o trabalho sobre a sabedoria humana da Pércia antiga apresento a seguir uma série de pensamentos dos grandes sábios dos últimos séculos.
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A PAZ DO CORAÇÃO
A paz do coração só se mantém pelo desprezo de tudo quanto possa perturbá-la.
Rousseau
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A HONRA
Não são os postos que honram os homens; são os homens que honram os postos.
Agesilau 
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O QUE PASSOU, PASSOU
Não se pode fazer voltar a água que passou nem a hora que transcorreu. 
Ovídio 
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SABER SOFRER 
Os que sabem sofrer pelas suas ideias, quando elas são de amor e concórdia, vencem sempre 
José do Patrocínio 
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A VIRTUDE 
A virtude é cara sempre exposta ao ao mau tempo.
Mme. de Puisieux
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A PAIXÃO E OS CONSELHOS
Quando um coração se deixa vencer pela paixão, estão fechados os ouvidos para o conselho. 
Fernando de Rojas. 
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O  BOM SENTINELA
Um cão não é bom sentinela só porque late muito.
Provérbio chinês 
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A INFELICIDADE 
Não é bom ser infeliz, mas é bom te-lo sido 
Chevalier de Mére  
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OS SOFRIMENTOS DA VIDA 
Os sofrimentos da vida são as escadas por onde a alma ascende ao infinito. 
Anibal Vaz de melo
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A SATISFAÇÃO DE SERVIR 
Servir é uma fonte de íntimas satisfações.
Vasco J. Taborda  
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SEGREDO, INJÚRIAS E HORAS LIVRES
As três coisas mais difíceis da vida são: Manter um segredo; esquecer-se das injúrias; fazer bom uso das horas livres.
Quilon
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MOLÉSTIAS DO CORTO E DA ALMA
Para as moléstias do corpo há vários remédios; para as da alma só há um: o amigo.
Francisco Bastos Cordeiro
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O RICO E A MISÉRIA
O rico que se descuida acaba na miséria; A vantagem do pobre é que pode se descuidar à vontade que não acabará rico.
Milor Fernandes
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OTIMISTA E PESSIMISTA
O otimista pode até errar, mas o pessimista já começa errado.
Jucelino Kubitschek 
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A CERTEZA DO PLANEJAMENTO
A única certeza do planejamento é que as coisas nunca ocorrem como foram planejadas.
Lúcio Costa
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O QUE É FUTURO
O futuro não é o que se teme; o futuro é o que se ousa. 
Carlos Lacerda
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O FUTURO E A MORADIA
O futuro é um edifício misterioso que levantamos na terra com as próprias mãos, e que mais tarde deverá servir-nos a todos de moradia.
Victor Hugo
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O SÁBIO E A VIDA
O sábio deve viver como pode se não pode viver como quer. 
Gracian
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O NOVO AMANHECER 
Ao amanhecer todas as confusões do ontem já são passado; hoje é um dia muito especial para você viver; viva-o com intensidade. 
Seleção de Paulo Vieira
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SABEDORIA E RIQUEZA 
Prefiro uma gota de sabedoria a toneladas de riquezas. 
Ana xá  Goras 
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REPETIR O PASSADO
Aqueles que não entendem o passado estão condenados a repeti-lo.
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OS FATOS E O JULGAMENTO
Não há pessoa mais perigosa para si mesma e para os outros do que aquele que julga sem conhecer os fatos.
Napoleon Hill 
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CALÚNIA, INJUSTIÇA E PERDÃO 
Tmos uma enorme vantagem sobre as pessoas que nos caluniam ou que nos fazem uma injustiça proposital: o poder de perdoá-las. 
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 DESÂNIMO E AMOR PRÓPRIO
O desânimo é o amor próprio desiludido.
Andreau
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DESEJOS INSATISFEITOS 
Toda a história da cultura demonstra quais os métodos que o homem adotou para subjugar seus desejos insatisfeitos. 
Sigmund Freud
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O SILÊNCIO DA CRÍTICA 
Nada soa tão estridente aos ouvidos do autor como o silêncio da crítica. 
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A ARTE DA MEDICINA
A medicina é a arte de levar alguém à sepultura com palavras gregas. 
Henrique Jardiel Poncela 
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 VENENO LENTO 
Claro que o café é um veneno lento; faz quarenta anos que eu bebo. 
Francois-Marie Arquet Voltaire

PALAVRA E AÇÃO 
A palavra é o espelho da ação. 
Sólon
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ARQUEOLOGIA DO PENSAMENTO 
O fato de ser o homem uma invenção recente, mostra com toda a facilidade a arqueologia do nosso pensamento.
Michel Faucault
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SOB O SOL 
Não há nada de novo sob o sol, mas quantas coisas velhas existem que não conhecemos! 
Ambrose Bierse
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O ÁTOMO E O PRECONCEITO 
Triste época; é mais fácil destruir um átomo do que um preconceito. 
Albert Einstein 
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O SABER E AS IDEIAS PRÓPRIAS
 O saber não está na ciência que se absorve de outros, mas em ideias próprias, geradas do conhecimento direto, mediante a transmutação por que passam no espírito que os assimila. O sabedor não é um armário de sabedoria armazenada,mas transformador reflexivo de aquisições digeridas.
Rui Barbosa.
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SABEDORIA SEM ERUDIÇÃO
O sábio chega à sabedoria sem erudição. 
Lao - Tsé.
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ASAS DO PENSAMENTO 
Os grandes pensamentos não necessitam apenas de asas, mas também de algum veículo para aterrissar.
Neil Armstrong 
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PROMESSAS GRATUITAS
Esconde-te das pessoas que te fazem promessas sem exigir contra-prestações. 
Bernad Baruc - Economista americano.
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A ARTE DE REGER E A BATUTA
A arte de reger consiste em saber quando se deve largar a batuta para não incomodar a orquestra. 
Herbert Von Karajan 
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A CIÊNCIA É UMA VIAGEM SEM FIM 
A ciência será sempre uma busca, jamais um descobrimento real. É uma viagem, nunca uma chegada.  
Karl Popper  
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O  MUNDO É UM TEATRO
O mundo é um estranho teatro no qual há momentos em que as piores peças obtém os maiores êxitos. 
Alexis de Tocqueville  
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SABER OUVIR SOBRE SI MESMO
Ouvir do outro o que se sabe sobre si mesmo jamais é a mesma coisa. 
Aldous Huxley
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OBEDECER À NATUREZA 
Para dar ordem à natureza é preciso saber obedecer-lhe.
Francis Bacon  
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HOMENS NÃO SÃO IGUAIS
Os homens nascem iguais, mas no dia seguinte já são diferentes. 
Apparício Torelly - Barão de Itararé 
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TRABALHO E AVAREZA 
Os ávaros são como as abelhas, trabalham como se fossem viver eternamente.
Demócrito de Abdera.
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O ESTILO DE SE EXPRESSAR
O estilo é tudo o que o homem usa para se expressar. 
George Simmel. 
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A TELEVISÃO EDUCATIVA 
Considero a televisão muito educativa; cada vez que alguém na sala liga o aparelho, vou para o quarto ler um livro.
Groucho Marx .
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VERDADEIRO E FALSO 
Na mistura do verdadeiro com o falso, o verdadeiro ressalta a falsidade e o falso impede que acreditemos no verdadeiro.
Robert Bresson 
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EDUCAÇÃO E DEMAGOGIA
O problema da educação no Brasil é que nossos políticos confundem educação com demagogia. 
Romeo Zanchett - 1978.
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SOBRE O AMOR 
 Amar a humanidade é fácil, difícil é amar o próximo. 
Henry Fonda
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A INJÚRIA E A RAZÃO 
As injúrias são as razões dos que não tem razão. 
Jean- Jaques Rousseau.
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EQUAÇÃO DO SUCESSO
Se A é o sucesso, então A é igual a X mais Y mais Z. O trabalho é X; Y é o lazer; e Z é manter a boca fechada. 
Albert Einstein 
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quinta-feira, 22 de junho de 2017

REGRAS PARA A CONDUTA DA VIDA

                Duas pessoas trabalham debalde e dedicam-se a infrutíferas tarefas; a que adquire riqueza e não goza, e a que ensina sabedoria sem ma praticar. Por mais que estudeis a ciência, desde que vosso procedimento não seja sensato, sois ignorante. O animal que carrega os livros nem é sensato nem sábio; acaso pode saber o seu crânio vazio se sua carga se compões de livrou ou de lenha? 
                 A ciência deve ser empregada para a conservação da religião e não para aquisição de riquezas. 
                 Aquele que prostitui a sua abstinência, a sua reputação e a sua instrução, pelo propósito da ganância, forma um celeiro cujo conteúdo consome depois inteiramente.  
                 O homem instruído sem temperança é como um cego levando na mão um archote; mostra o caminho aos outros, mas não se guia a si próprio. Aquele que por irreflexão brinca com a vida, deita fora o seu dinheiro sem comprar cousa alguma. 
                 Três coisas existem que, sem outras três não podem ser duradouras: riqueza sem comércio, ciência sem argumento e reinado sem governo. 
                 Usar de misericórdia com os maus é prejudicar os bons, perdoar aos opressores é fazer mal aos oprimidos. Quando lidamos com homens baixos, e lhes mostramos favor, eles cometem faltas á nossa sombra, e assim participamos dos seus delitos. 
                 Nunca revele ao teu amigo todos os segredos que conheces. Como podes tu saber se ele de um dia para outro não passará a ser teu inimigo?  Do mesmo modo não inflijas ao teu inimigo todo o mal que esteja em teu poder fazer-lhe, pois que ele pode ainda vir a ser teu amigo. Aqui que quiseres conservar como segredo, não o comuniques a pessoa alguma, a não ser alguém digno de confiança; pois ninguém poderá ser tão fiel em guardar o teu segredo como tu próprio. 
                 Mais seguro será calarmos do que revelarmos o nosso segredo a qualquer pessoa, pedindo-lhe que não o divulgue.
                 A água da fonte não fica contida em sua nascente, pois quando ela vai na força da corrente não poderás detê-la.  Nunca se deve proferir em segredo qualquer palavra que não possa ser repetida diante de qualquer pessoa. 
                 Nunca se deve impressionar se ouvir falar que dois homens que eram inimigos agora são amigos íntimos. A hostilidade entre duas pessoas é como o fogo. Os dois utilizam a lenha fornecida pelo mesmo lenhador; este lenhador não deve nunca se envolver na discórdia que existe entre os dois. Pode acontecer que os inimigos se reconciliem e se o lenhador de alguma forma tenha tomado partido será desprezado e odiado pelos dois.  Alimentar o fogo da discórdia entre duas pessoas é queimar-se a si próprio irrefletidamente no meio delas. 
                  Quando vires um inimigo fraco não se mostre como um fanfarrão; todo o osso tem medula e todo o vestuário cobre o homem. 
                  A cólera, quando excessiva, produz terror; e a bondade inoportuna destrói a autoridade. Não sejas tão severo que intimides e nem tão fraco que animes a audácia. Deve conciliar-se à severidade com brandura, - como faz o cirurgião que quando emprega o bisturi aplica também um anestésico -. Um homem sensato nuca leva a severidade ao excesso, nem tolera os desmandos que possam ofender a sua dignidade. Não se encarece a si próprio, mas também não despreza a sua importância. Um pastor disse a seu pai: 
                  - Oh! tu que és sensato, ensina-me uma máxima da tua experiência. 
                  O pai respondeu-lhe: 
                  - Sê indulgente, mas não a ponto de que possam ferir-te com os dentes agudos do lobo. 
                   Um homem mau vive cativo nas mãos do inimigo, pois que, vá para onde for, não poderá escapar às garras do seu próprio castigo. Se o homem mau pudesse fugir dum inferno para o céu, continuaria no inferno pelo sentimento da sua própria má disposição. 
                  Esmaga a cabeça da serpente com a mão do teu inimigo que assim sempre terá vantagem; se o inimigo vencer mataste a serpente; e se a serpente vencer ficarás livre do inimigo. 
                  No dia da batalha final não te consideres seguro por ser fraco teu adversário; pois que aquele que chega ao desespero é capaz de arrancar os miolos do mais feroz leão.
                  Quando tiveres alguma coisa a comunicar que aflija o coração da pessoa a quem diz respeito, conserva-te silencioso para que ela ouça de outro a má nova. Sempre que puder deixa para os outros as más notícias. - OH! rouxinol! por ti nos venham os risonhos anúncios da primavera.
                 Seja cauteloso quando escutares a voz do adulador, o qual, em troco do seu aranzel, espera tirar de ti todas as vantagens que puder. Se um dia não se submeteres aos seus desejos, atribuir-te-á duzentos defeitos, em vez das perfeições que sempre falara. 
                 A não ser que alguém aponte a um orador os seus defeitos, nunca será correto o seu discurso. Não te envaideças com a elegâncias de suas própria palavras pela opinião de uma pessoa ignorante, nem tampouco pela tua própria apreciação. Toda a pessoa considera perfeita sua própria sabedoria e seu filho cheio de beleza. Um judeu e um maometano estavam questionando de um modo que me fez rir. O maometano dizia cheio de raiva: 
                 - Se esta escritura não é autêntica, que Deus me faça morrer judeu! 
                 O judeu dizia: 
                 - Juro sobre o Pentateuco, e se juro falso que eu seja um maometano com tu! 
                 Se a sabedoria viesse a acabar em todo o mundo, ninguém atribuiria a ignorância a si próprio.
                 Aquele que quanto tem o poder não pratica o bem, sofrerá infortúnios quando perder esse poder. Não há maior desgraçado do que o opressor; pois que, no dia da adversidade, ninguém será seu amigo. 
                 A vida depende da conservação dum simples alento, e a existência humana está entre duas não existências. Aqueles que vendem a religião pelo mundo são loucos; vendem José e nada adquirem em troco. 
                 Diz-se que nas terras do Oriente são preciosos quarenta anos para fazer umas chávenas da China; em Bagdá, porém, fazem cem em um dia, e por consequência compreende-se a modicidade do preço.  Um pintinho, logo ao sair do ovo, procura a comida; mas uma criança recém nascida não tem entendimento nem discrição. O que repentinamente chegou a ter alguma importância nunca atingirá a grande perfeição, ao passo que aquele que vai gradualmente aprendendo todas as coisas pode chegar ao poder e à excelência. O vidro encontra-se em toda a parte, e portanto não tem grande valor, ao passo que o rubi é obtido com dificuldade, e por isso é precioso.
                  Não publique os erros ocultos das pessoas; porque  não é deprimindo os outros que terá boa reputação. 
                  Se todas as noites fossem de glória, muitas delas seriam menos famosas. Se cada pedra fosse um rubi de Budukshan Tanto o rubi como o seixo teriam o mesmo valor. 
                 O vicioso não pode suportar a presença do virtuoso; do mesmo modo, o cão de guarda do mercado ladra ao cão de caça, mas nunca se atreve a aproximar-se dele.
                 Quando um homem e más qualidades não pode competir com outro em virtude, pela maldade que o caracteriza, começa a caluniá-lo. O objeto invejoso desacredita o homem virtuoso na sua essência, mas, quando com ele se defronta, a sua língua loquaz torna-se muda. 
                O homem sensato que se empenha em controvérsia com pessoas ignorantes do assunto em questão, não deve conservar a esperança de ganhar a sua causa. Não seria para admirar que um ignorante, pela sua loquacidade, vencesse o homem sábio, pois também a pedra comum quebra a pedra preciosa.  Seria motivo de surpresa que um rouxinol não cantasse se estivesse na mesma gaiola com uma gralha? Um homem virtuoso, se é ofendido por um vagabundo, não deve encolerizar-se nem afligir-se.  S uma pedra sem valor esmaga uma taça de ouro, não aumenta por esse fato o valor dela mesma e nem tampouco diminui o preço do ouro. 
                 Se o sábio, caindo na companhia de gente baixa, não vê as suas palavras apreciadas, não vos admireis; pois que o som da harpa não pode dominar o rufar do tambor, e o aroma do âmbar virgem é suplantado pelo cheiro fétido do alho. O ignorante orgulha-se da sua voz possante, quando com ela ousadamente confundo o homem de inteligência. Não sabes que a voz harmoniosa de Hijaz é abafada pelo ruído do tambor de guerra? Se uma pedra preciosa cai na lama, assim mesmo se conserva pedra preciosa que era; e se o pó voa até o céu, não perde por isso a sua abjeção originária. O engenho sem educação é deplorável, e a educação sem engenho é como se fosse lançada ao vento. As cinzas, conquanto seja de alta origem, pois que o fogo é de natureza nobre, não valem mais do que o pó, visto não terem qualquer valor intrínseco. O assucar não deriva o seu valor da cana de que é extraído, mas sim da sua qualidade inata. O almíscar tem o aroma em si próprio, e não no fato de ser chamado perfume pelo droguista. O sábio é como a caixa do droguista - silenciosa,   mas cheia de virtudes; e o tolo assemelha-se ao tambor do guerreiro - ruidoso, mas palreiro de pouco siso. O homem sensato, na companhia daqueles que são ignorantes, foi pelos sábios comparado a um formosa rapariga na companhia de homens cegos, ou ao Alcorão em casa de um infiel. Quando a terra de Canaã estava sem virtude, o nascimento de José não aumentou a sua dignidade. Mostra a tua virtude, se é que possues nobreza; pois que do espinho nasce a rosa, e Abraão  descende de Azur. 
                  Do amigo, cujo afeto tens procurado toda a tua vida, não te desgostes em um único momento.  Uma pedra gasta muitos anos para se transformar em rubi; tem cuidado, não a destruas de um instante para o outro de encontro com outra pedra. 
                 A razão está sob o poder dos sentidos tal como um homem se torna fraco nas mãos de uma mulher artificiosa. Fecha a porta da casa do prazer, em que se ouve ressoar a voz forte de uma mulher. 
                Há duas coisas que são moralmente impossíveis: gozar mais bens do que aqueles que a providência nos destinou, e morrer antes do momento marcado.  O destino não será alterado pelos nossos suspiros e lamentações, pelos nossos louvores ou queixumes. Que importa ao anjo que governa no tesouro dos ventos, que a lâmpada da velha viúva se apagasse? 
                O homem invejoso cobiça a bondade de Deus, e é inimigo daqueles que são inocentes. 
                 Ouvi um insignificante de cérebro vazio falar irreverentemente de uma pessoa de posição, e disse-lhe: 
                 Senhor, se sois infeliz, que crime cometeram os homens que não o são? 
                 Não desejeis mal ao homem invejoso, pois que esse desgraçado é uma calamidade para si próprio. Que necessidade tens de demonstrar inimizade àquele que tem atrás de si tal inimigo? 
                 Um homem de saber que não produz obras, é como uma abelha que não produz mel. Dize à austera e áspera abelha: 
                  - Se não podes produzir mel, não enterres o teu ferrão. 
                 Perguntaram a Iman Mursheed Moamede Bem Moamede Ghezaly - com ele seja a misericórdia de Deus! - por que meios ele tinha chegado a tal grau de ciência? 
                 Ele respondeu da seguinte maneira: 
                 - Pesquisando todas as coisas que ignorava. 
                 Pode haver boas esperanças de restabelecimento, quando quando se tem um médico hábil a tomar o pulso. Informa-te de tudo o que não sabes; pois que, pelo pequeno trabalho de perguntar, será guiado na proveitosa senda da sabedoria. 
                 Quando tiveres a certeza de que uma coisa te será conhecida a seu tempo, não te mostres apressado em a perguntar, pois dessa maneira diminuirás a tua autoridade e a tua consideração. Lokman, vendo que na mão de David o ferro se transformava milagrosamente em cera, não perguntou como ele conseguia esse resultado, persuadido de que, sem que fizesse a pergunta, viria a saber-se mais tarde. 
                 Conta tua história em conformidade com a disposição do teu ouvinte, se sabes que ele está bem disposto para contigo. Todo o homem sensato que pretenda ligar-se com Munjnoou, não falará senão do rosto de Leila. 
                  O homem é, sem discussão, o mais excelente dos seres criados, e o animal mais desprezível  é o cão; mas os sábios concordam em que um cão reconhecido é melhor do que um homem ingrato. Um cão nunca esquece o bocado que se lhe dá, mesmo que cem vezes lhe atirem pedras. Mas se durante um século  com afeição um homem de maus instintos, ele lutará contigo por qualquer insignificância. 
                  Está escrito no Evangelho: "OH! filhos de Adão, se eu vos concedesse riquezas, dar-lhes-ei mais atenção do que ma daríeis a mim; e se vos fizesse pobres, tristes seriam vossos corações; e então, como podereis vós celebrar os meus louvores e de que maneira me adorareis? Às vezes, na abundância, sois orgulhosos e negligentes; e depois na pobreza, magoados e cheios de aflição. Desde que tais são as vossas disposições, na felicidade e na desgraça, não sei quando tereis tempo para adorar Deus". 
                  Um Derviche (sacerdote mendicante) cujos instintos sejam bons, é melhor do que um rei, cujos instintos sejam maus. Mais vale sofrer tristezas antes do gozo da felicidade, do que depois de a ter experimentado. 
                  O céu enrriquece a terra com as chuvas, e a terra nada lhe dá em troca senão pó. Uma jarra derrama só aquilo que contém. Se a minha disposição não é digna aos teus olhos, não mudes por isso os teus bons sentimentos. O Todo Poderoso  observa o crime, e esconde-o; e o vizinho o vê, e proclama em alta voz. Deus nos proteja! Se os homens soubessem o que se faz em segredo, ninguém estaria livre da intervenção alheia.
                  Aqueles que não tem compaixão dos fracos, hão de sofrer violências por parte dos poderosos. Não aflijas o fraco para que não venhas a cair nas mãos de alguém mais poderoso do que tu. 
                 O jogador deseja três senas e contudo aparecem-lhe três azes. A pastagem é mil vezes melhor do que a planície árida, e todavia o cavalo não tem o governo das suas rédeas. 
                   Um Derviche nas suas preces dizia: 
                   OH! Deus, tem piedade dos maus, pois que os bons já tu mostraste misericórdia, criando-os virtuosos.
                   Quando compreenderes  o que é justo e o que deve ser concedido, é melhor dá-lo com bondade, do que com desagrado e mau modo. Se um homem não paga o imposto de boa vontade, o agente da autoridade lho exigirá pela força. 
                   Que pode fazer uma mulher velha de maus costumes se não fazer voto e se desviar do pecado? ou um superintendente de polícia exautorado, senão prometer não voltar a perseguir a humanidade? Um adolescente que escolhe uma vida de retiro é um homem que mostra força do leão na senda que conduz a Deus; pois que um homem velho não pode mexer-se do seu canto. 

                

quarta-feira, 21 de junho de 2017

O SILÊNCIO É DE OURO

                Um rapaz sensato que tinha feito progressos consideráveis em instruções morais, era ao mesmo tempo tão discreto que quando se encontrava diante de homens instruídos, nuca proferia palavra. Uma vez disse-lhe seu pai: 
                - Meu filho, porque não dizes tu também alguma coisa do que sabes? 
                O filho respondeu: 
                - Receio que me interroguem sobre qualquer coisa acerca da qual eu seja ignorante, e que por isso tenha de que me envergonhar. Não ouviste falar de um Sufi que estava pregando uns pregos nas suas sandálias quando um oficial, puxando-lhe a manga, lhe disse: 
                - Pode vir ferrar o meu cavalo? 
                Enquanto estamos silenciosos ninguém se intromete conosco; mas, quando falamos, devemos ter prontas as respostas a dar. 
                 Certo poeta foi procurar o chefe de ma quadrilha de ladões e recitou-lhe versos em que tecia seu elogio. O chefe ordenou que o poeta fosse despojado do seu vestuário e expulso da aldeia.  Como os cães lhe atacassem e lhe fossem no encalço, quis apanhar algumas pedras, mas estas estavam fortemente enterradas no chão.  Nesta aflição disse o poeta: 
                 - Que homens vis são estes que soltam os cães e prendem as pedras! 
                O chefe, ouvindo isso de uma janela, riu-se e disse: 
                Hó! homem sábio, conceder-te-hei uma graça que me peças. 
                O outro respondeu: 
                - Desejo ter meu fato, se te dignas conceder-me. 
                Um homem alguma coisa pode esperar daqueles que são virtuosos. Eu nada espero da ta virtude, se te peço que não me faças mal. Já me satisfaz a tua benevolência, se me permites partir. 
                O chefe dos ladrões teve compaixão dele, ordenou que lhe restituíssem o vestuário, e juntou-lhe um manto arminho e também alguns direms. 

terça-feira, 20 de junho de 2017

CONFORMIDADE COM A SORTE

                  Ouvi contar dum Derviche (sacerdote mendicante) que sofria grands privações em razão da sua pobreza, e cosia remendo sobre remendo, mas que se contentava coma seguinte sentença: 
                  - Contento-me com pão duro e com um vestuário de grossa lã, pois que mais vale sustentar o fardo das próprias necessidades, do que aumentar o peso dos favores da humanidade. 
                  Alguém lhe disse: 
                  - Porque razão permaneces tu nessa inação, sendo certo que existe nesta cidade um homem de espírito generoso, dotado de benevolência universal, sempre ocupado em socorrer os homens piedosos, e constantemente pronto a consolar os aflitos? Se ele fosse informado da tua situação, consideraria como um dever dar remédio às tuas privações. 
                  O Derviche replicou: 
                  - Cala-te! é melhor morrer de penúria do que expor as dificuldades do vosso viver a qualquer pessoa; pois está já dito que coser remendo sobre remendo e ser paciente é preferível a dirigir um requerimento a um  homem poderoso, pedindo-lhe que nos dê vestuário. 
                  Na verdade, entrar no paraíso com ajuda dos vizinhos, equivale a sofrer os tormentos do inferno. 
                  Certo literato, que possuía muito poucos meios de fortuna, e tinha uma família numerosa a sustentar, expôs a sua situação a um homem de alta posição, que formava dele uma opinião muito favorável. Este não aprovou o seu procedimento, achando-o indigno de um homem de espírito. 
                  Quando estiveres descontente com a vossa sorte, não vos aproximeis do vosso mais querido amigo, pois que assim transformareis em tristeza o seu prazer. Quando expuserdes a vossa aflição, conservai um aspecto animado e sorridente. Lembre-se que aquele que mantém uma expressão de alegria, consegue sempre bons resultados aos seus pedidos. 
                  O homem de elevada posição aumentou um pouco a sua pensão, mas passou a tratá-lo com menos consideração do que anteriormente. Algum tempo depois, notando esta diminuição de afeição, o outro disse: 
                  - Amargo é o pão que se obtêm no tempo da penúria; ferve a panela no lar, é certo, mas sofre a consideração.  Ele aumentou o meu pão, mas diminuiu a minha honra; mais vale viver destituído de meios, do que sofrer o desaire de pedir. 
                  Um ladrão disse ao mendigo: 
                  - Não tens vergonha de estender a mão a qualquer homem sem honra para obter um grão de prata? 
                  O mendigo respondeu: 
                  Melhor é estender a mão para pedir um grão de prata do que fazê-la cortar por ter roubado.

sábado, 17 de junho de 2017

A FORÇA DA SORTE

               É muito comum ouvirmos a história de pessoas ricas que ficaram pobres.
                Em tempos muito remotos houve um lutador, que por motivos muito estranhos, depois de ter angariado uma grande fortuna se viu reduzido à miséria.  Atormentado pela fome, e não possuindo qualquer meio de subsistência, foi lamentar-se ao seu pai e pedir-lhe algum dinheiro para viajar, pois que talvez pela força do seu braço, pudesse realizar os seus desejos. Talento e habilidade de nada valem se não forem exibidos.
               O pai respondeu:
               - Meu filho, afasta do teu espírito essas idéias impraticáveis, e fase com que a conformidade com a tua sorte te leve ao caminho da segurança; porque os sábios disseram: "As riqueza não se podem  obter pela força material; mas o remédio contra a necessidade é a moderação dos nossos desejos. Ninguém pode agarrar a força a riqueza pelos cabelos, e é trabalho perdido aplicar unguento aos olhos dos cegos." Mesmo que cada cabelo da tua cabeça possuísse duzentas virtudes, de nada serviriam, se a fortuna não te fosse propícia. O que pode valer um homem forte, mas desafortunado? Mais vale o braço da fortuna do que o braço da força. 
               O filho replicou: 
               - Meu pai! São muitas as vantagens que as viagens nos oferecem; elas podem enriquecer nosso espírito com conhecimentos proveitosos; ver maravilhas e ouvir coisas desconhecidas; ouvir outros homens conversando; adquirir nova educação e boas práticas; aumentar os bens; a felicidade de adquirir um novo modo de vida, estabelecendo relações íntimas; além da experiência do mundo, conforme já foi dito por homens sábios. Enquanto se estiver agarrado aos serviços e à casa nunca terá oportunidade e nem se fará homem  o pobre ingênuo. É partir, viajar pelo mundo, antes que chegue o momento em que teremos de o deixar. 
               O pai retorquiu: 
               - Oh! meu filho, grandes são sem dúvida os benefícios das viagens, tais como tu acabas de os descrever, mas são grandes especialmente para cinco classes de homens: Primeiro - Para o negociante que possuindo riquezas e dignidades, com formosas escravas e ativos servos, pode passar cada dia em uma nova cidade, e cada noite em um lugar diferente, divertindo-se a cada momento com os prazeres mundanos, em lugares diferentes. O homem rico não é um estranho nem nas montanhas, nem nos desertos; onde quer que esteja, levanta a sua tenda e assentará seus pertences; enquanto que aquele que não possui os confortos da vida, mas que se vê sem meios de subsistência, é um estranho, desconhecido mesmo entre seus "amigos" na própria terra natal.   Segundo - Para o homem de saber, que pelas suas palavras agradáveis, pela sua poderosa eloquência e pela sua bagagem de conhecimentos, por toda a parte é procurado e respeitado. A presença do sábio assemelha-se ao ouro puro, pois que, em qualquer lugar que se encontre é conhecido o seu valor intrínseco, bem como a sua importância. Um filho ignorante de um homem rico é como o dinheiro feito de couro, que é corrente em uma cidade especial, mas que num país estrangeiro ninguém quererá receber.  Terceiro - A pessoa bela, por quem se sentem atraídos o corações das pessoas virtuosas, que dão um alto valor à sua companhia, considerando que em algum momento lhe será útil e lhe prestará algum serviço.  É conforme diz o ditado: "Mais vale alguma beleza do que muita riqueza!" Uma pessoas formosa é um bálsamo para um coração ferido, e pode ser também uma chave que abre todas as portas. O homem dotado de beleza  é recebido com honra e respeito em toda a parte. Numa ocasião eu vi uma pena de pavão entre as folhas de um Alcorão sagrado, e disse-lhe: "Considero isto uma honra muito maior  do que merece a tua condição." O livro disse: "Cala-te! aquele que tenha beleza, seja onde for que apareça, não é sempre recebido com respeito? O filho que é dotado desta beleza não sente medo do seu pai! É uma pérola rara que não deve permanecer na conha que nasceu, e para uma pérola preciosa sempre existe comprador.  Quarto - O harmonioso cantor, aquele que com a voz de David faz parar as águas no seu curso, e suspende os pássaros no seu voo; e que pelo poder desse encanto, cativa os corações da humanidade e que faz que os religiosos desejem atraí-lo para junto de si. A minha atenção prende-se completamente ao som duma doce voz; quem é aquele que tão bem conhece os segredos da arte da harmonia?  Como é deliciosa uma voz terna e triste, ao romper do dia aos ouvidos daqueles que o amor embriaga! Uma doce voz é melhor do que um formoso rosto; pois  que este produz o prazer sensual, ao passo que aquela encanta a alma.  Quinto - O artífice, que ganha os meios de subsistência com o trabalho do seu braço, para que seu bom nome não seja prejudicado pela falta de pão. O sábio Disse: "Se um artífice sai da sua terra para uma viagem não passa dificuldades nem aflições; mas se o rei de Ninroge andasse errante fora do seu reino deitar-se-ia com fome à noite. As qualidades que acabo de referir-me são os meios de proporcionar conforto ao espírito dos que viajam, e os agentes que promovem grandes prazeres; mas aquele que não possui alguma dessas qualidades entra no mundo com expectativas vãs; e ninguém conhecerá seu nome, nem dele verá sinais. Aquele que as resoluções do céu encolerizado afligem, é perseguido pelo mundo. A pomba que é destinada a não ver mais seu ninho, é pela sorte conduzida ao laço e à armadilha. 
                 O filho disse então: 
                  - Oh! meu caro pai, como contradizer uma outra máxima dos sábios, que diz: "Os bens necessários à vida são acessíveis a todos; contudo, para os alcançar, precisa-se esforço, e conquanto a infelicidade seja uma lei, o nosso dever é evitar o caminho por onde ela possa entrar?" Ainda mesmo que nos seja assegurado o pão de cada dia, a razão impõe-nos o dever de o procurarmos fora de casa. Embora ninguém possa morrer antes do momento decretado pelo destino, nenhuma razão há para que corramos para as faces do dragão.  Na minha situação presente estou apto a me defrontar com um elefante enraivecido e a combater até o feroz leão; e tenho além de tudo para viajar o motivo de que não posso por mais tempo suportar a indigência. Quando um homem decai de sua posição e dignidade, o que mais para ele pode ter interesse?  é um cidadão do mundo. O homem rico recolhe-se à noite ao seu palácio, mas o pobre faz de seu albergue o lugar em que a noite o  surpreender.
                  Assim falou, despediu-se de seu pai, pediu-lhe que o abençoasse e partiu. Nesse momento alguém o ouviu dizer: 
                 - O artista, a quem a fortuna não é propícia, dirige os seus passos para um lugar onde seu nome não seja conhecido. 
                 Viajou, viajou ate chegar ás margens de um rio, cuja corrente era tão rápida que as  pedras se precipitavam umas sobre as outras, e o seu ruído se ouvia a muitas milhas de distância. Eram águas terríveis, nas quais nem mesmo as aves aquáticas estavam em segurança; e a mais pequena das suas ondas arrastaria da praia uma pesada pedra de moinho. Viu um grupo de pessoas assentadas na barca de passagem, tendo cada uma delas uma pequena moeda; e todas estavam fazendo as suas trouxas para a travessia. O jovem viajante, que não tinha dinheiro, recorreu às súplicas, mas sem resultado, porque os donos da barca lhe disseram: 
                 -Não se pode aqui usar de violência com pessoa alguma, e se não tens dinheiro, a força não pode valer-te. 
                 O desumano barqueiro riu-se dele também e voltou-lhe as costas dizendo; 
                 - Não tens dinheiro, e não podes atravessar o rio por meio da tua força. De que serve aqui a força de dez homens? Traga-me o dinheiro de um só que o deixarei embarcar. 
                 O jovem viajante, ferido por este sarcasmo, sentiu desejo de se vingar. E quando o barco já havia partido gritou: 
                 - Se te contentas com este vestuário que tenho sobre mim, dar-te-ei de boa vontade.  
                 O barqueiro, que era ganancioso, imediatamente trouxe de volta o barco à margem do rio pensando em apanhar o viajante.  A cobiça fecha os olhos dos mais espertos. e faz cair na armadilha tanto o peixe como o pássaro mais astuto. 
                 Ao chegar à margem o jovem pegou o barqueiro ferozmente pelo pescoço  e jogou-o ao chão sem a menor piedade.
                 Um dos companheiros do barqueiro saiu da barca para lhe prestar auxílio; mas de tal modo foi maltratado, que desistiu do seu propósito. Ambos julgaram prudente apaziguar o jovem viajante e comprometeram-se a permitir sua travessia. Quando virdes uma luta, mostrai-vos sereno, pois que uma disposição pacifica fecha a porta à discórdia. A maldade deve opor-se à bondade; a dura espada não corta a seda macia. Usando boas palavras e modos afáveis podeis conduzir um elefante com um cabelo. Penitenciando-se  pelo que  sucedera, os dois homens caíram aos pés do jovem atleta, e depois de lhe beijarem hipocritamente as mãos e o rosto, levaram-no para a barca, e nela o conduziram até chegarem a um pilar de construção grega, que se erguia no meio do rio, e então o barqueiro bradou: 
                - A barca está em perigo! aquele de entre vós que tenha mais força e coragem suba àquele pilar e segure a corda da barca para podermos salvá-la!
                O jovem atleta, na vaidade de sua grande força da qual se vangloriara, e não pensando na ofensa que infligira aos seus adversários, esqueceu aquela máxima dos sábios: "Se dirigiste uma ofensa contra qualquer pessoa, e depois lhe dispensaste um cento de favores, não penses que ela esquecerá de se vingar em ti pela ofensa isolada; pois que a seta pode ser retirada da ferida, mas a sensação de dor ali continuará persistindo."  Excelente foi o conselho que deu Yuktach  a Khiltach: "Se espezinhaste o teu inimigo, não te consideres seguro. Quando por tua culpa o coração doutrem sofreu algum mal, não esperes estar tu próprio isento de aflição. Não lances pedra contra as muralhas de um castelo, pois pode por ventura outra pedra ser lançada do castelo contra ti." 
                 Tão logo o jovem viajante enrolou a corda em volta do braço, e foi até o topo do pilar, o barqueiro aproveitou a oportunidade, puxou com força a corda e tratou de levar o barco o mais longe possível. Dessa forma o jovem atleta foi abandonado à própria sorte.  Durante dois dias sofreu grande aflição e muitas privações; no terceiro dia, vencido pelo sono, caiu no rio. Depois de um dia e uma noite  de luta pela sobrevivência chegou finalmente à terra firme. Suas forças estavam exauridas e ele já quase moribundo. Para não morrer de fome alimentou-se com folhas de árvores, de ervas e de raízes. Após recuperar-se um pouco caminhou em direção a um campo deserto chegando cheio de fome e sede junto a um poço. Viu que em volta havia um grupo de pessoas reunidas que bebiam água do poço em troca de uma pequena moeda. Como não tinha nenhum dinheiro suplicou ao dono do poço que lhe desse um pouco daquela água. Não sendo atendido partiu para a agressão; após derrubar alguns dos homens presentes foi dominado, espancado e deixado ali gravemente ferido.  
                Os sábios sempre disseram: "Um enxame de mosquitos tortura o elefante, não obstante a sua força e o seu valor. As pequeninas formigas, quando tem uma ocasião oportuna, chegam a tirar o pelo do mais feroz leão."
                 Doente e ferido, saiu andando como podia e teve a sorte de encontrar uma caravana que passava por ali. Sem outra alternativa juntou-se a ela.
                 Ao cair da noite chegaram a um lugar que estava infestado de ladrões salteadores de estradas. Logo percebeu que os viajantes da caravana ficaram tremendo de medo, com aspecto de quem estava avistando a morte certa. Então disse-lhes: 
                - Não precisam recear, pois eu estou aqui e posso defendê-los; garanto que dou conta de 50 desses bandidos, quanto aos demais vocês me ajudarão.
                Os membros da caravana sentiram-se aliviados e ficaram felizes por tê-lo em sua companhia. Em seguida deram-lhe comida e bebida até estar totalmente satisfeito. Depois de ter comido e bebido exageradamente, e estando muito cansado acabou adormecendo profundamente, deixando seus companheiros desprotegidos. 
                Um velho membro da caravana, senhor experiente que conhecia bem a vida e o mundo, tomou a palavra e disse: 
                 - Meus companheiros! me desculpem, mas eu temo mais o vosso guardião do que os próprios ladrões; não sei se já ouviram falar da história de um árabe que, tendo juntado algum dinheiro estava com medo de dormir sozinho em casa, pediu então a um amigo que lhe fizesse companhia; o amigo passou algumas noites em sua casa, mas tão logo teve conhecimento da fortuna que estava guardando apoderou-se dela e fugiu.  Na manhã seguinte o árabe foi encontrado vagando e se lamentando pelo acontecido. Perguntaram-lhe o que estava havendo, se os ladrões lhe tinham roubado seu dinheiro. O árabe respondeu: 
                Pelo amor de Deus! não foram os ladrões, mas o amigo que me ajudava guardá-lo.
                Já diziam os sábios: " Ninguém deve sentir-se seguro ao lado de uma serpente conhecendo sua índole. A ferida dos dentes de um inimigo não pode ser mais cruel do que quando é feita com a aparência da amizade." 
                 E o velho senhor concluiu dizendo:  - Meus amigos,  as aparências enganam. Como saber se este rapaz não seria um dos ladrões que, por astúcia se tenha infiltrado entre nós com o intuito de nos entregar aos seus companheiros?   Portanto, meu conselho é que o deixemos dormindo e aproveitemos para partir imediatamente. 
                  O conselho do ancião foi atendido pelos mais novos e, como tinham suas suspeitas sobre o jovem atleta, levantaram logo acampamento e partiram. 
                  Ao sentir o calor do sol sobre suas costas o jovem acordou e percebeu que estava só. Sem saber o que fazer ficou a vagar pelo deserto sem conseguir encontrar o caminho certo. Cheio de fome e de sede, deitou a cabeça no chão e, no auge do desespero gritou: 
                  - Com quem falarei agora que todos partiram com seus camelos?
                 Diz a sabedoria que: "longe de casa, um viajante não tem amigos. O que mais sofre com uma viagem é aquele que nunca tenha experimentado as dificuldades que ela impõe a qualquer um que queira experimentá-la."
                Após ter dado aquele grito de desespero sentou-se em completo desânimo.
                Seu grito fora ouvido pelo filho mais velho do rei que ali andava a procura de caça. Vendo aquele jovem com tão boa aparência e tão desesperado perguntou-lhe: 
                - Porque tanta aflição? o que te aconteceu? de onde veio? 
                Ele então prontamente contou tudo o que lhe sucedera e quanto tinha sofrido desde que saiu do aconchego de sua casa. 
                O príncipe então deu ordem que o levassem em segurança de volta para seu pai.
                Com a chegada do filho o pai sentiu-se aliviado e deu graças a Deus pela sua volta ao lar são e salvo. 
                 Depois de tomar um bom banho, alimentar-se e vestir uma roupa limpa sentou a lado do seu pai e contou-lhe tudo o que ocorrera desde sua saída. Contou sobre o barqueiro, o dono do poço de água e os companheiros de caravana que o traíram. 
                Tendo ouvido toda sua história o pai lhe disse: 
                Meu filho, bem que te avisei antes de tua partida; o homem pode ter muita força, mas sendo pobre tem as mãos atadas para tudo; seu pé, mesmo que seja forte como a pata do leão, não pode avançar além de um limitado espaço.  Já dizia um sábio gladiador: "Um grão de ouro vale mais do que cinquenta arrateis de força.
                O filho replicou: 
                 - OH meu querido pai! na verdade sem vencer as dificuldades não se pode adquirir riqueza; quem nunca põe em perigo a vida não pode ganhar a vitória contra um inimigo e, sem espalhar a semente na terra não se pode encher o celeiro; se prestar atenção verá que, em troca das aflições que sofri, trouxe muita riqueza comigo; que pela picada de abelha que recebi, foi grande a provisão de mel que me deu. Se não pudermos gozar de bens que a Providência não nos destinou, devemos lutar para consegui-los. Se o mergulhador pensasse nos dentes do crocodilo nunca conseguiria perolas tão preciosas. Que alimento encontraria o leão se não saísse de sua caverna? Que caça se poderia apanhar com um falcão que não voa? Se ficarmos esperando por alimento em nossa casa nossos pés e mãos ficarão delgados com os da ranha. 
                 - OH caro filho! o céu favoreceu-te desta vez, e foi teu guia a boa fortuna, de tal modo que conseguiste colher a rosa entre os espinhos e extrair o espinho de teu pé; um homem poderoso encontrou-te, compadeceu-se de ti, enriqueceu-te e transformou em boa a tua triste condição. Mas nunca se esqueça que gestos como esse são raros; não devemos esperar que um milagre sempre nos salve. O caçador nem sempre mata a caça e muitas vezes pode até ser a presa fácil do tigre. Vou lhe contar um fato: - Numa certa ocasião um rei da Pérsia, possuidor de um anel ornado com uma pedra  de grande valor, foi a passeio em uma longa excursão a Mussúla Shiraz,; levou consigo alguns amigos particulares, e chegando lá ordenou que fixassem o anel no zimborio de Asud, com uma placa dizendo que quem fizesse passar uma seta pelo pequeno círculo, teria direito ao anel. Naquela ocasião o rei tinha a seu serviço um exército de 400 arqueiros experientes  e todos erraram o alvo; mas nesse momento apareceu um rapazinho que brinca atirando setas ao acaso em direção ao telhado de um convento; aconteceu que uma forte brisa direcionou uma flecha exatamente para o orifício do anel.  O jovem recebeu como prêmio, o anel e muitos outros bens valiosos.  Depois disso o jovem queimou seu arco e flechas, e quando lhe perguntaram porque fazia aquilo, respondeu: 
                  - Para que a fama desta minha proeza seja duradoura.
                  Pode acontecer que o prudente conselho de um sábio não dê o resultado desejado; e também pode dar-se o caso de uma criança inexperiente acerte, por um feliz acaso, uma seta no alvo. 

sexta-feira, 16 de junho de 2017

INJÚRIA, PERDÃO E CARIDADE

               Conta-se que um certo senhor sempre mostrava uma grande benevolência com pessoas de condição social inferior, e procurava sempre contentar a todos. Aconteceu que, tendo ele caído no desagrado do rei, todos procuraram exerceu sua influência com o fim de obter sua libertação; mostrando aqueles a cuja guarda ele estava confiado, grande indulgência  na sua vigilância, e expondo os outros grande do reino ao rei as suas virtudes. Tantos esforços empregaram que o monarca lhe perdoou a falta cometida. 
               Um homem justo, tendo conhecimento destas circunstâncias disse: 
               - "Vendei até mesmo os vossos bens patrimoniais para cativar os corações dos vossos amigos.  Para alimentar o fogo daquele que vos quer bem, não hesites  em queimar a vossa mobília. Fazei o bem até mesmo aos maus; pois a melhor forma de tapar a  boca do cão é com comida. 
               Um dos filhos de Harum-al-Rchid , em um acesso de cólera, foi comunicar ao pai que o filho de um determinado oficial tinha falado mal de sua mãe. Harum perguntou aos seus ministros qual seria o justo castigo para tal ofensa. Um deles sugeriu que o ofensor fosse condenado á morte; outro  disse que lhe devia ser cortada a língua; e outro ainda conselhou que fosse multado e banido do reino. 
               Harun disse: 
               - Meu filho, a caridade exige que tu lhe perdoes; mas se não tem capacidade para fazê-lo,  da mesma forma injúria tu também a sua mãe, mas não tanto que excedas  os limites da vingança legítima, pois que nesse caso poderia a responsabilidade da afronta nos ser imputada.
               Na opinião dos sábios não é um homem corajoso aquele que combate com um elefante enfurecido; mas é um verdadeiro homem aquele que, mesmo num acesso de raiva, não profere palavras vãs. Um homem mail intencionado insultou um outro que recebeu  a afronta dizendo: 
               - "Eu sou ainda pior do que dizes, pois conheço os meus próprios defeitos, melhor do que tu podes descobri-los." 
                Havia dois irmãos, um dos quais estava ao serviço do rei, e outro que vivia parcamente à custa do seu próprio trabalho. Numa ocasião o irmão rico dise ao irmão pobre: 
                - Porque não entras tu também para o serviço do rei aliviando assim o peso de seu trabalho?  
                O outro replicou perguntando: 
                - Porque razão tu não trabalhas para te eximires da baixeza da servidão? Os sábios sempre dizem que é preferível comer o próprio pão e estar comodamente sentado do que usar um cinto de ouro estando em pé em serviço; fazer uso das mãos para moer o cal virgem em um almofariz do que colocá-lo sobre o peito em homenagem ao Emir. 
               Gastamos muito tempo da vida nestas preocupações: 
               - O que comerei eu no verão? 
               - Como deverei vestir-me no inverno?
               " O estômago se satisfaz com um pedaço de pão para que o homem não seja forçado a curvar-se na servidão". 
               Alguém trouxe a Nuchirvan, o justo, a boa nova de que o deus de toda a majestade e glória, tinha levado para o mundo da verdade um homem que era seu inimigo. 
               Nuchirvan perguntou: 
               - Acaso ouviste dizer que de algum modo ele poupará a minha vida? A morte de meu inimigo não é para mim motivo de alegria, visto que a minha vida também não é eterna. 

PENSAMENTOS DOS MAIORES SÁBIOS DA GRÉCIA ANTIGA

Um grupo de Sete Sábios que, na verdade, eram Sete Filósofos, que viveram no século IV A. C. eram conhecidos como tal.  Segundo a t...