Um grupo de Sete Sábios que, na verdade, eram Sete Filósofos, que viveram no século IV A. C. eram conhecidos como tal.
Segundo a tradição mais divulgada, os sete sábios eram: Thales de Mileto, Solon de Athenas, Chilon de Lacedemonia, Pittaco de Mitilene, Bias de Priena, e Periadro de Corintho.
Deste aquele tempo que seus pensamentos norteiam o comportamento das pessoas que os conhece.
Aqui lhes trago uma parte de sua sabedoria, que brevemente será publicado em livro tradicional e estará a disposição de todos nas livrarias e no site da minha editora EDITORA ALL PRINT - SP. < Clique aqui.
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I - THALES
Perguntando-lhe, alguém, por que é que não tinha filhos,respondeu que era pelo muito que desejava tê-los. Quando sua mãe pediu para que se casasse, respondeu: - "É cedo ainda"; e alguns anos depois, passada sua juventude, sua mãe lhe perguntou novamente com mais ardor, e ele replicou: "Já é tarde".
. Por três coisas dava ele graças à fortuna: a primeira por ter nascido homem e não uma besta; a segunda, varão e não mulher; a terceira, grego e não bárbaro.
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Conta-se que, tendo-o uma velha tirado de casa para observar as estrelas, caiu num fosso e queixou-se da queda; ao que a mulher replicou: "Oh! Thales, tu não podes ver o que está debaixo dos teus pés e queres perceber do que se passa nos céus?"
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Disse também que entre a morte e a vida não havia diferença alguma. "- Por que não morres então?" - "Ora, respondeu ele, porque não faz diferença alguma".
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Perguntando-lhe outro se um homem que procede mal pode escapar à vigilância dos deuses, respondeu: "- Não, nem mesmo se pensa mal."
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Um adúltero pergunta-lhe se devia jurar não ter cometido adultério. " - O perjúrio, exclamou, não é pior do que o adultério".
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Quando lhe perguntaram como é que o homem pode mais facilmente suportar o seu infortúnio, respondeu: " - Vendo os seus inimigos mais infortunados ainda". E que coisa era difícil: " - Conhecer-se a si mesmo". E que coisa era fácil: " - Dar conselho aos outros". E como vivermos com mais virtude e mais santamente: " -Não fazendo nós mesmos o que censuramos nos outros".
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A sua filosofia gira toda sobre este pensamento capital: "- A água é o primeiro princípio de todas as coisas".
O aforismo: "Conhece-te a ti mesmo" é desse filósofo.
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II _ SOLON
As leis são como as teias de aranha: se se é pequeno ou fraco, cai-se dentro delas; se se é maior ou mais forte, rompe-se a teia e foge-se.
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Os favores dos reis são como as pedras que usamos nos cálculos: os que as usam fazem-nas valer mais ou menos conforme o seu desejo.
Perguntando-se-lhe por que forma podiam ser evitados os males públicos, respondeu: "- Aborrecendo-os tanto os que os não sofrem, como os que os sofrem".
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Da riqueza nasce o excesso e do excesso a insolência.
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Máximas de conduta: Considera a tua honra como alguma coisa de mais peso que um juramento. Nunca mintas. Trata de coisas sérias. Não sejas precipitado em arranjar amigos, nem tampouco em te desfazeres deles.
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Manda apenas quando tiveres aprendido a obedecer. Não dê conselhos agradáveis, mas bons conselhos. Guia-te pela razão. Lira-te de más companhias. Honra os deuses e teus pais.
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Perguntando-se-lhe por que é que não tinha legislado contra os parricidas,respondeu: " - Porque não espero que os haja".
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Quando estava a chorar a morte do seu filho, alguém lhe disse: "- As tuas lágrimas não servem de nada". Respondeu Solon: " - Por isso é que eu choro - porque não servem de nada".
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III CHILON
A seu irmão, que se indignava por o não terem feito eforo (aquele que prevê), disse um dia: " - É porque eu sei sofrer a injustiça, e tu não".
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Os homens educados diferem dos ignorantes pela racionalidade das suas esperanças.
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As trêss coisas mais difíceis são: guardar os segredos, empregar bem o ócio, e suportar a injustiça.
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Domina a tua língua, especialmente nos banquetes, e não fales mal do próximo.
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Não ameaces ninguém: isso é coisa de mulheres.
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Mais depressa deves visitar os seus amigos na adversidade do que na prosperidade.
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Não digas mal do morto.
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. Tem mão em ti.
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Prefere o castigo ao lucro desonesto; o primeiro só se sente uma vez, o último sente-se por toda a vida.
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.Não zombes do infeliz.
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Se és poderoso, sê também bom, para que os outros te tenham mais respeito do que temor.
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Aprende a dirigir bem a tua casa. Não corra a língua mais que o juízo. Reprime a cólera. Não queiras impossíveis. Não te apresses no caminho. Obedece às leis .
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Ensaia-se o ouro com pedras de toque, e o homem com o ouro.
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Hoje segurança, amanhã destruição.
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Dizia que uma vez duvidou da justiça do seu proceder: tendo de julgar um amigo como jurado, condenou-o conforme a lei, mas induziu outro jurado a votar a favor, determinando assim a absolvição.
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O poder revela o homem.
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O melhor é fazer bem o que se está fazendo no momento.
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É próprio dos varões prudentes, precaverem-se das adversidades antes delas aparecerem, e dos fortes, tolerá-las quando aparecerem.
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Não digas com antecipação o que pretendes fazer; porque serás objeto de troça se a coisa te falhar.
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Abstem-se de dizer mão não só dos teus amigos, mas também dos teus inimigos.
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Espera a oportunidade.
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Alceu, seu comportamento, diz que Pittaco era cambaio, e andava com os pés a arrastar; que os tinha gretados; que se dava ares sem motivo, era gordo, míope, porco e indolente. Como outra autoridade diz que ele moia trigo para exercício, o poeta parece ter exagerado.
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V BIAS
A coisa mais difícil que existe é suportar a mudança de fortuna com grandeza de alma.
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Dizia que antes queria julgar os inimigos que os amigos. "- De dois amigos estou certo de que hei de fazer um inimigo; enquanto de dois inimigos estou certo de que hei de fazer um inimigo; enquanto que de dois inimigos, um deles há de ficar meu amigo".
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Os homens devem proceder com se tivessem de viver muito e de viver muito pouco. (com medo de que o que resulta do seu procedimento, se lhe constitua um longo castigo; com medo de terem pouco tempo para trabalhar ou para se emendarem).
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Devemo-nos amar uns aos outros com se pudéssemos vir a odiar-nos.
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Escolhe a tua carreira sem precipitação, e prossegue-a depois com perseverança.
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Infeliz é aquele que não sabe sofrer a infelicidade.
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Este também foi surpreendido a bordo de um temporal.
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Ente os companheiros encontravam-se alguns de bastante má fama, que entraram a clamar aos deuses por auxílio.
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- "Cala-vos, exclamou Bias, que eles nem sonhem que vinde a bordo!
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Um homem sem princípios nem crenças perguntou-lhe o que era piedade. Bias não respondeu, e sendo-lhe perguntada a razão do seu silêncio, replicou:
- "É porque estais inquirindo acerca de coisas que vos não dizem respeito.
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Sendo-lhe mostrado um templo, cujas paredes se achavam cobertas de promessas e ofertas de marinheiros salvos de naufrágios, após haverem dirigido fervorosas preces aos deuses, perguntou:
- "Bem, mas onde estão as ofertas daqueles que morreram afogados depois de implorar socorro?
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VI - CLEÓBUILO
Dizia que era conveniente casar os filhos jovens em idade, mas velhos em prudência.
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Deve-se favorecer o amigo para que o seja ainda mais, e o inimigo para torná-lo amigo.
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Livra-te da calúnia doa amigos e das ciladas dos inimigos.
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Quando saíres de casa, pensa primeiro no que hás de fazer, e quando voltares, no que tens feito.
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Devemos ser como a virtude e estranhos com o vício.
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Aprende a sofrer com paciência os revezes da fortuna.
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O seu aforismo era: "- A medida é a melhor de todas as coisas".
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VII - PERIANDRO
Não se faça coisa alguma por interesse.
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Os gostos são transitórios, mas as honras sao imortais.
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Na prosperidade sê moderado; na adversidade prudente.
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Castiga não só os que tenham delinquido, como também os que queriam delinquir.
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O trabalho consegue tudo.
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Dizia que os reis não se defendem com as armas, mas com a benevolência. Foi o primeiro que se fez acompanhar por homens armados. Dizia também que o governo democrático era melhor que o governo tirânico. Foi ele quem reduziu a tirânico o governo republicano. Dir-se-ia as sentenças de \\\\\\\\\periandro não serviam para orientar a vida, mas para a condenar. São sentenças, sim, mas sentenças condenatórias.
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VII ARISTOPPO
Dionísio, o tirano, pediu a Aristoppo que lhe explicasse por que infestam os filósofos as casas dos ricos e estes não infestam as casas dos filósofos. Aristopo respondeu-lhe: - "Porque os filósofos sabem o que lhes falta, e os ricos não.
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Em outra ocasião, sendo-lhe dirigida em tom de zombaria a mesma pergunta, respondeu: - "Também os médicos infestam as casas dos enfermos; todavia nenhuma deles trocaria as suas condições pelas do doente".
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Um dia pediu dinheiro a Dionísio e este replicou: - "Eu imaginava que os filósofos não precisassem de dinheiro!
- "Dá-me-o, disse Aristoppo, depois responderei. Dionísio deu-lhe algumas moedas de ouro. - "Agora, disse Aristoppo, não preciso de dinheiro.
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Sendo repreendido por desperdiçar dinheiro em suntuosos manjares, respondeu: - "Se pudesse comprar as mesmas coisas com uma esmola, não as comprarias?
- "Então, prosseguiu ele, és tu o avarento e não ou o guloso.
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De medo, durante uma tempestade, mostrou-se tão assustado que outro passageiro lhe disse: - "Nós, as pessoas vulgares, não perdemos a cabeça; é preciso ser um filósofo para ser covarde".
- "É porque nós arriscamo-nos a perder mais alguma coisa do que umas simples vidas sem valor, como as vossas, foi a resposta.
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Tendo em vão tentado obter a anuência de Dionísio a um pedido, atirou-se, por fim, aos pés do tirano, conseguindo por este meio o seu fim. Sendo-lhe censurado tão humilhante procedimento, replicou: - "A culpa não é minha, mas do Dionísio, que tem as orelhas nos pés".
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Dizia que pedia dinheiro aos amigos, menos para gastá-lo ele próprio do que a fim de lhes mostrar como o deveriam empregar.
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A sua capirchosa obediência ora a elevados princípios teóricos, ora à pratica de atos do maior egoísmo e indulgência consigo próprio, fez com que Platão lhe dissesse: - "És a única pessoa que pode ao mesmo tempo, usar um capote são e um montão de farrapos".
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VIII PITÁGORAS
Não revolvas o fogo com uma espada. (Não despertes a ira dos poderosos).
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Não te sentes acima do alqueira. (Não sejas preguiçoso no teu trabalho quotidiano).
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Não comas o coração. (Não envenenes a tua vida com a inveja).
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Não ajudes a aliviar as cargas, mas a impôr-te mais pesadas ainda.
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Tem sempre preparada a tua cama. (Está sempre preparado para a desgraça).
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Não uses a imagem dum deus no anel. (Não banalizes as coisas sagradas).
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Apaga os vestígios que a panela deixa nas cinzas. (Guarda segredo da tua vida particular).
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Não esfregues um banco com azeite. (Não empregues as coisas inutilmente.)
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Não passes na rua principal. (Sê independente nos teus juízos).
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Não ofereças levemente a tua mão direita.
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Não tenhas andorinhas debaixo do teto.
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Não cries aves de unhas aduncas (aves de rapina).
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Não sujes nada.
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Não te ponhas em cima das unhas ou dos cabelos que cortaste (faze desaparecer todos os vestígios das vaidades desprezadas).
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Evita uma espada cortante. (Porque é tão perigosa para quem serve dela como para o inimigo).
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Quando fizeres uma viajem, não voltes os olhos para as fronteiras do teu país. (O passado bem passado está; o que não tem remédio bem remediado está).
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IX DIOGENES
Perguntou-lhe alguém a razão porque certas pessoas davam dinheiro aos mendigos, recusando-o aos filósofos. - "É, respondeu ele, porque julgam mais provável que cheguem eles próprios a ser mendigos do que ser filósofos".
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. Platão definiu o homem com sendo um bípede sem penas. Diogenes arrancou as penas de um frango e levou-a à escola deste dizendo: - "Eis um dos homens de Platão".
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Sendo-lhe perguntado qual a idade em que se deve casar, respondeu: - "Os novos ainda não; os velhos nunca".
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Interrogado sobre a melhor hora para jantar, disse: - "Sendo rico, o hora que quiseres; sendo pobre, quando puderes".
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Tendo alguém em discussão afirmado não existir o movimento, Diogenes levantou-se e foi-se embora.
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Instado a fim de se deixar iniciar nos mistérios religiosos para bem seu depois da morte, replicou: - "É um absurdo supor que Agesilau e Epaminondas fiquem na lama, enquanto qualquer verme, sendo sendo iniciado, irá viver nas "Ilhas Afortunadas".
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Assistindo a um banquete de Platão, onde se viam uns suntuosos tapetes, Diogenes, batendo neles com os pés, exclamou: - "Assim piso o orgulho de Platão!" Ao que Platão retorquiu: - "Com igual orgulho.
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Sendo capturado e posto à venda como escravo, foi-lhe perguntado o que sabia fazer, - "Governar homens , replicou ele, e disse ao pregoeiro que visse se alguém precisava de um patrão porque o momento era oportuno.
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Sendo-lhe proporcionado visitara casa luxuosamente mobiliada de um homem ordinário, pediram-lhe ai que não cuspisse sobre qualquer objeto, que poderia assim prejudicar. Doegenes cuspiu na cara do dono da casa e então perguntaram´lhe qual o motivo dessa atitude, respondeu: - "Eu senti vontade de cuspir e não havia outro lugar apropriado".
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Um dia, achando-se ele sentado ao sol, veio vê-lo Alexandre o Grande. Colocou-se em frente do filósofo, encobrindo um pouco os raios de sol, e perguntou-lhe qual o maior favor que lhe poderia conceder. E ele respondeu: - "Não me tires o que não podes me dar".
Perguntando-lhe Alexandre se não o temia, replicou: - "Por que? És, por ventura, uma calamidade?
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Um libertino fez inscrever por cima da porta da sua casa as palavras: "Aqui não entra o mal". _"Então tu para onde vais viver? perguntou Diogenes ao dono da casa.
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Um dia foi passear com uma candeia acesa na mão. Sendo-lhe perguntado o motivo, respondeu: - "Procuro um homem honrado.
Outra ocasião gritou: - "Eh! Homens!" - Quando as pessoas correram para saber o que havia, respondeu: - "Chamei homens e não vermes".
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Lamentando alguns espectadores as suas tristes condições de vida, Platão observou-lhes: - "Se deseja que ele mereça realmente a vossa piedade, ide-vos embora sem lhe dar atenção.
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Perdicas ameaçou matar Diegenes, por ele não comparecido a uma ordem sua. Diogenes respondeu: - "Até um escorpião conseguiria tal; como verdadeira ameaça deveria mandar dizer que se sentiria feliz se eu lá não fosse.
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Dizia ele que um homem rico e ignorante era como um carneiro com lã de ouro (dá vontade de tosquiar).
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Louvou um mu tocador de harpa, dizendo que ao nebos dera-lhe para tocar harpa em vez de roubar.
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Sendo-lhe dito em tom de deboche que os habitantes de Sinope o haviam condenado a sair de lá, respondeu: - "E eu condenei-os a ficarem em Sinope.
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Heine imitou esta frase quando, contando o mau fim de algumas bêtes noires dos seus primeiros tempos, concluiu dizendo: - "E o professor - é ainda professor em Gottingen,
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Pediu que lhe erigissem uma estátua, explicando mais tarde que o fizera a fim de aprender a suportar decepções.
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Disse a um homem a quem pedia esmola: - "Se já deste esmola a alguém, dá-me uma também a mim; se nunca deste, começa então por mim.
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Dizia ele que Dionísio tratava os amigos como sacos: pendurava aqueles que se achavam cheios, deitando fora os vazios.
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Vendo um libertino arruinado, reduzido a uma refeição de azeitonas, disse-lhe: - "Se tivesses jantado sempre dessa forma, não cearias agora assim".
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Sendo-lhe perguntado qual o vinho que preferia, respondeu: - "O vinho dos outros".
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Instado a procurar um escravo que lhe havia foragido, respondeu:
- "Seria um absurdo se o meu escravo pudesse viver sem mim, e eu não pudesse viver sem ele".
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Censurando-lhe alguém o seu mau procedimento anterior, ele respondeu:
- "Sim, tempo houve em que me parecia contigo; mas nunca houve nem haverá tempo em que te pareças comigo".
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Sendo censurado por comer na rua, respondeu: - "Pois se foi ali que senti vontade de comer.
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Quando lhe diziam - "Muitas pessoas se riem de ti", respondia:
- "É muito provável que os burros se riam dessas pessoas; e nem ela nem eu nos importamos com isso".
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Dizia ele que os libertinos se assemelhavam a uma figueira, crescendo à beira de um precipício; não pode o seu fruto ser colhido pelo homem, e só pelos corvos e abutres.
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Foi o primeiro a denominar-se um cidadão do mundo. Ouvindo um rapaz bonito dizendo tolices, perguntou-lhe se não se envergonhava de sacar de uma bainha de marfim uma espada de latão.
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Um dia pediu um certa importância "elevada" de dinheiro a um perdulário, em vez do seu usual pedido de esmola. Perguntou-lhe alguém por que:
- "Para já sobrar alguma coisa do resto para a outra vez".
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Vendo dois homens que disputavam acerca de um furto, em vez de discuti-lo abertamente, disse que eram evidentemente ambos culpados: o primeiro mentia, afirmando que perdera seu objeto e o segundo, dizendo que não o havia roubado.
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Um dia, vendo um atirador de besta (arco de flecha) inábil, foi sentar-se junto ao alvo.
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Dizia que a educação servia de bom comportamento aos novos, de conforto aos velhos, de riqueza aos pobres e de adorno aos ricos.
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ANTISTHENES
Aconselhava os atenienses a que votassem para que os burros fossem cavalos. Protestando eles que seria um absurdo, replicou-lhes: - "Mas é dessa forma que fazeis generais.
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Sendo-lhe dito que Platão falava mal dele, observou: - " É privilégio dos reis fazerem bem e serem caluniados"
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Escarnecido por não ser filho de cidadãos livres, disse: - "Nem tão pouco filho de lutadores; porém na luta poderei vencer-vos.
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Dizia que as pessoas invejosas eram corroídas pelo próprio temperamento, como se corrói o ferro com a ferrugem.
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Sendo-he perguntado qual o ramo mais importante da sabedoria humana, respondeu que era saber vencer os nossos maus costumes.
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DIVERSOS
Disseram a Aristóteles que alguém falava mal de na sua ausência, e ele respondeu:
- " Na minha ausência, podem até bater-me..."
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Pergungando-se-lhe o motivo porque nos junto de belos objetos, respondeu: - "Essa pergunta só pode ser feita a um cego".
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Theofrasto disse a um homem que se conservou calado durante um banquete:
- "Se não sabeis dizer coisa alguma, fazeis bem; mas sabendo, fazeis mal.
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Demétrio, informado de que os atenienses haviam demolido as estátuas que lhe erigiram, respondeu: - "Mas não demoliram as minhas virtudes, que foram motivo delas".
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Dizia que os jovens deviam manifestar respeito aos pais em casa, aos outros em público, e a eles próprios quando se encontrassem sós.
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Afirmava que os amigos prósperos só se deviam visitar por convite, e os desgraçados espontaneamente. .
Alexandre Magno ordenou que as cidades gregas o proclamassem deus, e os Espartanos pronunciassem assim o decreto: - "Se Alexandre deseja ser deus, que o seja".
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Focio, sendo aplaudido pela multidão, exclamou: - "Que má ação terei eu cometido?
. Zeno foi o primeiro a ensinar a teoria de predestinação. Um criado seu sendo apanhado no ato de roubar, exclamou: - "Estava escrito que eu roubaria". Geno replicou: - "Sim, e que por tal feito serias espancado.
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Afirmava que um amigo era um outro eu.
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Perguntando-lhe alguém o motivo porque nunca corrigia nem reprendia um certo discípulo, respondeu: - "Porque nada há a fazer dele".
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Lacides, sendo chamado por Attalo a vir visitá-lo, respondeu: - "As estátuas devem ser vistas a distância".
A coisa mais difícil que existe é suportar a mudança de fortuna com grandeza de alma.
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Dizia que antes queria julgar os inimigos que os amigos. "- De dois amigos estou certo de que hei de fazer um inimigo; enquanto de dois inimigos estou certo de que hei de fazer um inimigo; enquanto que de dois inimigos, um deles há de ficar meu amigo".
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Os homens devem proceder com se tivessem de viver muito e de viver muito pouco. (com medo de que o que resulta do seu procedimento, se lhe constitua um longo castigo; com medo de terem pouco tempo para trabalhar ou para se emendarem).
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Devemo-nos amar uns aos outros com se pudéssemos vir a odiar-nos.
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Escolhe a tua carreira sem precipitação, e prossegue-a depois com perseverança.
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Infeliz é aquele que não sabe sofrer a infelicidade.
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Este também foi surpreendido a bordo de um temporal.
.
Ente os companheiros encontravam-se alguns de bastante má fama, que entraram a clamar aos deuses por auxílio.
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- "Cala-vos, exclamou Bias, que eles nem sonhem que vinde a bordo!
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Um homem sem princípios nem crenças perguntou-lhe o que era piedade. Bias não respondeu, e sendo-lhe perguntada a razão do seu silêncio, replicou:
- "É porque estais inquirindo acerca de coisas que vos não dizem respeito.
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Sendo-lhe mostrado um templo, cujas paredes se achavam cobertas de promessas e ofertas de marinheiros salvos de naufrágios, após haverem dirigido fervorosas preces aos deuses, perguntou:
- "Bem, mas onde estão as ofertas daqueles que morreram afogados depois de implorar socorro?
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VI - CLEÓBUILO
Dizia que era conveniente casar os filhos jovens em idade, mas velhos em prudência.
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Deve-se favorecer o amigo para que o seja ainda mais, e o inimigo para torná-lo amigo.
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Livra-te da calúnia doa amigos e das ciladas dos inimigos.
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Quando saíres de casa, pensa primeiro no que hás de fazer, e quando voltares, no que tens feito.
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Devemos ser como a virtude e estranhos com o vício.
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Aprende a sofrer com paciência os revezes da fortuna.
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O seu aforismo era: "- A medida é a melhor de todas as coisas".
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VII - PERIANDRO
Não se faça coisa alguma por interesse.
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Os gostos são transitórios, mas as honras sao imortais.
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Na prosperidade sê moderado; na adversidade prudente.
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Castiga não só os que tenham delinquido, como também os que queriam delinquir.
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O trabalho consegue tudo.
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Dizia que os reis não se defendem com as armas, mas com a benevolência. Foi o primeiro que se fez acompanhar por homens armados. Dizia também que o governo democrático era melhor que o governo tirânico. Foi ele quem reduziu a tirânico o governo republicano. Dir-se-ia as sentenças de \\\\\\\\\periandro não serviam para orientar a vida, mas para a condenar. São sentenças, sim, mas sentenças condenatórias.
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VII ARISTOPPO
Dionísio, o tirano, pediu a Aristoppo que lhe explicasse por que infestam os filósofos as casas dos ricos e estes não infestam as casas dos filósofos. Aristopo respondeu-lhe: - "Porque os filósofos sabem o que lhes falta, e os ricos não.
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Em outra ocasião, sendo-lhe dirigida em tom de zombaria a mesma pergunta, respondeu: - "Também os médicos infestam as casas dos enfermos; todavia nenhuma deles trocaria as suas condições pelas do doente".
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Um dia pediu dinheiro a Dionísio e este replicou: - "Eu imaginava que os filósofos não precisassem de dinheiro!
- "Dá-me-o, disse Aristoppo, depois responderei. Dionísio deu-lhe algumas moedas de ouro. - "Agora, disse Aristoppo, não preciso de dinheiro.
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Sendo repreendido por desperdiçar dinheiro em suntuosos manjares, respondeu: - "Se pudesse comprar as mesmas coisas com uma esmola, não as comprarias?
- "Então, prosseguiu ele, és tu o avarento e não ou o guloso.
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De medo, durante uma tempestade, mostrou-se tão assustado que outro passageiro lhe disse: - "Nós, as pessoas vulgares, não perdemos a cabeça; é preciso ser um filósofo para ser covarde".
- "É porque nós arriscamo-nos a perder mais alguma coisa do que umas simples vidas sem valor, como as vossas, foi a resposta.
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Tendo em vão tentado obter a anuência de Dionísio a um pedido, atirou-se, por fim, aos pés do tirano, conseguindo por este meio o seu fim. Sendo-lhe censurado tão humilhante procedimento, replicou: - "A culpa não é minha, mas do Dionísio, que tem as orelhas nos pés".
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Dizia que pedia dinheiro aos amigos, menos para gastá-lo ele próprio do que a fim de lhes mostrar como o deveriam empregar.
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A sua capirchosa obediência ora a elevados princípios teóricos, ora à pratica de atos do maior egoísmo e indulgência consigo próprio, fez com que Platão lhe dissesse: - "És a única pessoa que pode ao mesmo tempo, usar um capote são e um montão de farrapos".
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VIII PITÁGORAS
Não revolvas o fogo com uma espada. (Não despertes a ira dos poderosos).
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Não te sentes acima do alqueira. (Não sejas preguiçoso no teu trabalho quotidiano).
.
Não comas o coração. (Não envenenes a tua vida com a inveja).
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Não ajudes a aliviar as cargas, mas a impôr-te mais pesadas ainda.
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Tem sempre preparada a tua cama. (Está sempre preparado para a desgraça).
.
Não uses a imagem dum deus no anel. (Não banalizes as coisas sagradas).
.
Apaga os vestígios que a panela deixa nas cinzas. (Guarda segredo da tua vida particular).
.
Não esfregues um banco com azeite. (Não empregues as coisas inutilmente.)
.
Não passes na rua principal. (Sê independente nos teus juízos).
.
Não ofereças levemente a tua mão direita.
.
Não tenhas andorinhas debaixo do teto.
.
Não cries aves de unhas aduncas (aves de rapina).
.
Não sujes nada.
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Não te ponhas em cima das unhas ou dos cabelos que cortaste (faze desaparecer todos os vestígios das vaidades desprezadas).
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Evita uma espada cortante. (Porque é tão perigosa para quem serve dela como para o inimigo).
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Quando fizeres uma viajem, não voltes os olhos para as fronteiras do teu país. (O passado bem passado está; o que não tem remédio bem remediado está).
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IX DIOGENES
Perguntou-lhe alguém a razão porque certas pessoas davam dinheiro aos mendigos, recusando-o aos filósofos. - "É, respondeu ele, porque julgam mais provável que cheguem eles próprios a ser mendigos do que ser filósofos".
.
. Platão definiu o homem com sendo um bípede sem penas. Diogenes arrancou as penas de um frango e levou-a à escola deste dizendo: - "Eis um dos homens de Platão".
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Sendo-lhe perguntado qual a idade em que se deve casar, respondeu: - "Os novos ainda não; os velhos nunca".
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Interrogado sobre a melhor hora para jantar, disse: - "Sendo rico, o hora que quiseres; sendo pobre, quando puderes".
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Tendo alguém em discussão afirmado não existir o movimento, Diogenes levantou-se e foi-se embora.
.
Instado a fim de se deixar iniciar nos mistérios religiosos para bem seu depois da morte, replicou: - "É um absurdo supor que Agesilau e Epaminondas fiquem na lama, enquanto qualquer verme, sendo sendo iniciado, irá viver nas "Ilhas Afortunadas".
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Assistindo a um banquete de Platão, onde se viam uns suntuosos tapetes, Diogenes, batendo neles com os pés, exclamou: - "Assim piso o orgulho de Platão!" Ao que Platão retorquiu: - "Com igual orgulho.
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Sendo capturado e posto à venda como escravo, foi-lhe perguntado o que sabia fazer, - "Governar homens , replicou ele, e disse ao pregoeiro que visse se alguém precisava de um patrão porque o momento era oportuno.
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Sendo-lhe proporcionado visitara casa luxuosamente mobiliada de um homem ordinário, pediram-lhe ai que não cuspisse sobre qualquer objeto, que poderia assim prejudicar. Doegenes cuspiu na cara do dono da casa e então perguntaram´lhe qual o motivo dessa atitude, respondeu: - "Eu senti vontade de cuspir e não havia outro lugar apropriado".
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Um dia, achando-se ele sentado ao sol, veio vê-lo Alexandre o Grande. Colocou-se em frente do filósofo, encobrindo um pouco os raios de sol, e perguntou-lhe qual o maior favor que lhe poderia conceder. E ele respondeu: - "Não me tires o que não podes me dar".
Perguntando-lhe Alexandre se não o temia, replicou: - "Por que? És, por ventura, uma calamidade?
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Um libertino fez inscrever por cima da porta da sua casa as palavras: "Aqui não entra o mal". _"Então tu para onde vais viver? perguntou Diogenes ao dono da casa.
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Um dia foi passear com uma candeia acesa na mão. Sendo-lhe perguntado o motivo, respondeu: - "Procuro um homem honrado.
Outra ocasião gritou: - "Eh! Homens!" - Quando as pessoas correram para saber o que havia, respondeu: - "Chamei homens e não vermes".
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Lamentando alguns espectadores as suas tristes condições de vida, Platão observou-lhes: - "Se deseja que ele mereça realmente a vossa piedade, ide-vos embora sem lhe dar atenção.
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Perdicas ameaçou matar Diegenes, por ele não comparecido a uma ordem sua. Diogenes respondeu: - "Até um escorpião conseguiria tal; como verdadeira ameaça deveria mandar dizer que se sentiria feliz se eu lá não fosse.
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Dizia ele que um homem rico e ignorante era como um carneiro com lã de ouro (dá vontade de tosquiar).
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Louvou um mu tocador de harpa, dizendo que ao nebos dera-lhe para tocar harpa em vez de roubar.
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Sendo-lhe dito em tom de deboche que os habitantes de Sinope o haviam condenado a sair de lá, respondeu: - "E eu condenei-os a ficarem em Sinope.
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Heine imitou esta frase quando, contando o mau fim de algumas bêtes noires dos seus primeiros tempos, concluiu dizendo: - "E o professor - é ainda professor em Gottingen,
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Pediu que lhe erigissem uma estátua, explicando mais tarde que o fizera a fim de aprender a suportar decepções.
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Disse a um homem a quem pedia esmola: - "Se já deste esmola a alguém, dá-me uma também a mim; se nunca deste, começa então por mim.
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Dizia ele que Dionísio tratava os amigos como sacos: pendurava aqueles que se achavam cheios, deitando fora os vazios.
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Vendo um libertino arruinado, reduzido a uma refeição de azeitonas, disse-lhe: - "Se tivesses jantado sempre dessa forma, não cearias agora assim".
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Sendo-lhe perguntado qual o vinho que preferia, respondeu: - "O vinho dos outros".
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Instado a procurar um escravo que lhe havia foragido, respondeu:
- "Seria um absurdo se o meu escravo pudesse viver sem mim, e eu não pudesse viver sem ele".
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Censurando-lhe alguém o seu mau procedimento anterior, ele respondeu:
- "Sim, tempo houve em que me parecia contigo; mas nunca houve nem haverá tempo em que te pareças comigo".
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Sendo censurado por comer na rua, respondeu: - "Pois se foi ali que senti vontade de comer.
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Quando lhe diziam - "Muitas pessoas se riem de ti", respondia:
- "É muito provável que os burros se riam dessas pessoas; e nem ela nem eu nos importamos com isso".
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Dizia ele que os libertinos se assemelhavam a uma figueira, crescendo à beira de um precipício; não pode o seu fruto ser colhido pelo homem, e só pelos corvos e abutres.
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Foi o primeiro a denominar-se um cidadão do mundo. Ouvindo um rapaz bonito dizendo tolices, perguntou-lhe se não se envergonhava de sacar de uma bainha de marfim uma espada de latão.
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Um dia pediu um certa importância "elevada" de dinheiro a um perdulário, em vez do seu usual pedido de esmola. Perguntou-lhe alguém por que:
- "Para já sobrar alguma coisa do resto para a outra vez".
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Vendo dois homens que disputavam acerca de um furto, em vez de discuti-lo abertamente, disse que eram evidentemente ambos culpados: o primeiro mentia, afirmando que perdera seu objeto e o segundo, dizendo que não o havia roubado.
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Um dia, vendo um atirador de besta (arco de flecha) inábil, foi sentar-se junto ao alvo.
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Dizia que a educação servia de bom comportamento aos novos, de conforto aos velhos, de riqueza aos pobres e de adorno aos ricos.
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ANTISTHENES
Aconselhava os atenienses a que votassem para que os burros fossem cavalos. Protestando eles que seria um absurdo, replicou-lhes: - "Mas é dessa forma que fazeis generais.
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Sendo-lhe dito que Platão falava mal dele, observou: - " É privilégio dos reis fazerem bem e serem caluniados"
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Escarnecido por não ser filho de cidadãos livres, disse: - "Nem tão pouco filho de lutadores; porém na luta poderei vencer-vos.
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Dizia que as pessoas invejosas eram corroídas pelo próprio temperamento, como se corrói o ferro com a ferrugem.
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Sendo-he perguntado qual o ramo mais importante da sabedoria humana, respondeu que era saber vencer os nossos maus costumes.
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DIVERSOS
Disseram a Aristóteles que alguém falava mal de na sua ausência, e ele respondeu:
- " Na minha ausência, podem até bater-me..."
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Pergungando-se-lhe o motivo porque nos junto de belos objetos, respondeu: - "Essa pergunta só pode ser feita a um cego".
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Theofrasto disse a um homem que se conservou calado durante um banquete:
- "Se não sabeis dizer coisa alguma, fazeis bem; mas sabendo, fazeis mal.
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Demétrio, informado de que os atenienses haviam demolido as estátuas que lhe erigiram, respondeu: - "Mas não demoliram as minhas virtudes, que foram motivo delas".
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Dizia que os jovens deviam manifestar respeito aos pais em casa, aos outros em público, e a eles próprios quando se encontrassem sós.
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Afirmava que os amigos prósperos só se deviam visitar por convite, e os desgraçados espontaneamente. .
Alexandre Magno ordenou que as cidades gregas o proclamassem deus, e os Espartanos pronunciassem assim o decreto: - "Se Alexandre deseja ser deus, que o seja".
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Focio, sendo aplaudido pela multidão, exclamou: - "Que má ação terei eu cometido?
. Zeno foi o primeiro a ensinar a teoria de predestinação. Um criado seu sendo apanhado no ato de roubar, exclamou: - "Estava escrito que eu roubaria". Geno replicou: - "Sim, e que por tal feito serias espancado.
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Afirmava que um amigo era um outro eu.
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Perguntando-lhe alguém o motivo porque nunca corrigia nem reprendia um certo discípulo, respondeu: - "Porque nada há a fazer dele".
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Lacides, sendo chamado por Attalo a vir visitá-lo, respondeu: - "As estátuas devem ser vistas a distância".
