Um certo homem tinha chegado à perfeição na arte da luta corporal; sabia trezentos e sessenta golpes capitais dessa especialidade, e todos os dias exibia alguma sutileza nova; mas, mesmo tendo grande afeto por um determinado discípulo, que pertencia ao grupo de seus outros aprendizes, ensinou-lhe apenas trezentos e cinquenta e e nove desses golpes, reservando, contudo, o melhor golpe para si. Seu discípulo favorito tornou-se tão notável na arte, tanto de destreza como em vigor, que ninguém podia competir com ele. Um dia, diante do sultão, vangloriou-se de que sua superioridade na arte era tal que seria capaz de abater até mesmo seu professor; que não o faria pela consideração e respeito à sua idade por ter sido seu professor. Entretanto julgava-se tão capaz do ponto de vista de técnica e com mais destreza e força que ele.
O rei desaprovou estas suas declarações que considerou irrelevantes; em seguida ordenou que se realizasse um combate entre eles. Para este fim foi destinado um local bem amplo, onde todos os grandes homens da corte estariam presentes.
Iniciada a luta, o discípulo foi logo mostrando sua força descomunal com um combate extremamente violento. O mestre, cônscio de que seu adversário lhe era superior em força, atacou-o com o golpe cujo segredo tinha reservado só para si. O discípulo não pode resistir e foi ao chão. Então o mestre levantou-o com as duas mãos e, elevando-o acima de sua cabeça, arremessou-o ao chão. A multidão presente o aplaudiu em pé.
O rei então ordenou que fosse dado ao mestre um rico vestuário e uma grande recompensa em dinheiro; em seguida censurou o discípulo por ter ousado comparar-se em competência ao seu mestre benfeitor.
Inconformado o discípulo disse:
- meu venerado rei, veja que o meste não conseguiu a vitória sobre mim pela sua força e nem pela sua destreza; é certo porém, que na arte da luta existe um pequeno número de golpes que ele não me ensinou, e foi com um desses que me venceu.
O mestre observou então:
- Reservei este golpe para uma ocasião como esta, porque os sábios sempre disseram: " Não te entregues tão completamente nas mãos do teu inimigo que, caso ele se mostre disposto a lhe ser hostil, possa realizar o seu intento. Nunca ouviste falar do que disse uma pessoa que sofreu ofensas de outra que havia educado? Ou nunca houve gratidão neste mundo ou então neste tempo ninguém mais a pratica. Nunca eu ensinei a alguém a arte de atirar flechas, que esse alguém de mim não viesse a fazer alvo."
A HISTÓRIA DE ROMA E O RAPTO DAS SABINAS.
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* Para melhor entender o rapto das sabinas vamos relembrar
um pouco da história de Roma; como se deu o aparecimento de Rômulo e Remo. *
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